Manifestação violenta de jovens volta a assolar a França

Dezessete policiais ficam feridos e quatro prédios públicos são destruídos em protestos contra excessos das autoridades

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h03

As revoltas juvenis de 2005 e 2007 voltaram a assombrar a França ontem depois que 17 policiais ficaram feridos em enfrentamentos com jovens na periferia de Amiens, próximo à fronteira com a Bélgica. Vários carros, uma escola, um centro esportivo e dois prédios públicos foram incendiados por homens que montaram barricadas para enfrentar a polícia. A faísca da rebelião teria sido a morte de um jovem de 20 anos na quinta-feira.

De acordo com alguns moradores do distrito, o motociclista morreu em um acidente. Outros, porém, entenderam que a polícia não teria "respeitado a dor da família". No domingo, uma barreira policial foi considerada "rigorosa demais" pela população do bairro.

Às 23 horas de segunda-feira, começaram os incidentes mais graves. Cerca de cem jovens incendiaram latas de lixo e carros. Com a chegada da tropa de choque, o protesto transformou o distrito de Amiens-Nord em praça de guerra.

Os cerca de 150 policiais reprimiram as manifestações com balas de borracha e granadas de gás, em um conflito que se estendeu por três horas. Ao longo da noite, tropas de elite e um helicóptero chegaram a ser usados.

Pela manhã, o balanço da violência: uma escola infantil foi saqueada e incendiada, assim como um centro esportivo comunitário. Instalações de lazer e de treinamento de um comissariado de polícia do distrito foram pilhadas.

Outro sinal da gravidade do conflito foi o fato de que cápsulas de espingarda calibre 12 foram encontradas no local. "Está claro que atiraram com armas de fogo contra a polícia", disse Marc Richez, coordenador do sindicato de policiais.

O ministro do Interior, Manuel Valls, visitou Amiens-Nord e anunciou o reforço do policiamento e a contratação de 600 novos agentes a cada ano de governo. Valls responsabilizou ainda o governo anterior, do presidente Nicolas Sarkozy, pelo fechamento de 2,7 mil postos de trabalho de policiais.

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