Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters

Greve geral em Hong Kong cancela mais de 200 voos e paralisa metrô

Polícia volta a lançar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes pró-democracia; chefe do Executivo, Carrie Lam, acusa os manifestantes de colocarem a região em uma 'situação muito perigosa'

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2019 | 01h11
Atualizado 05 de agosto de 2019 | 21h30

HONG KONG - Uma greve geral organizada nesta segunda-feira, 5, pelos manifestantes contrários ao governo de Hong Kong praticamente paralisou o território autônomo chinês, no dia mais intenso de protestos em quase dois meses. Mais de 200 voos foram cancelados no aeroporto internacional, um dos maiores do mundo, após operadores de voo alegarem doença.

Ativistas ocuparam estações de metrô e impediram a circulação dos trens ao forçar as portas abertas. Ruas e avenidas foram interditadas e shoppings foram ocupados por multidões de ativistas. No mínimo seis órgãos governamentais foram palco de protestos, incluindo a sede do governo. Mais de 80 pessoas foram presas, segundo as autoridades.

A polícia reagiu com bombas de gás lacrimogêneo em diversas regiões da cidade. A instituição também foi alvo dos manifestantes, que danificaram diversos postos policiais. Eles argumentam que a repressão policial tem sido violenta, especialmente nos atos sem autorização.

Em um bairro ao leste de Hong Kong, manifestantes foram atacados por homens com bastões e roupas brancas. O episódio foi similar ao ocorrido em uma estação de metrô no dia 21, quando 36 pessoas ficaram feridas. Usar a cor branca é interpretado como ser a favor do governo chinês, já que os manifestantes em Hong Kong saem às ruas vestindo preto.

A chefe do poder Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, continua intransigente diante dos protestos. Nesta segunda, na primeira declaração pública em duas semanas, ela afirmou que a cidade “se tornou insegura e instável”. Disse também que os atos “extremamente violentos” estão levando o território a uma situação de “circunstâncias precárias”.

Lam também acusou os manifestantes de desafiarem a soberania da China no território: “Eles querem derrubar Hong Kong e destruir completamente os meios de vida do qual desfrutam 7 milhões de pessoas”.

A série de protestos começou há quase dois meses, após Lam apresentar um projeto de lei que permitia a extradição de detentos para julgamento na China continental, onde as cortes são controladas pelo Partido Comunista. Apesar de o projeto ter sido suspenso, os manifestantes passaram a pedir a renúncia de Lam e a convocação de eleições diretas, o que aumentaria a independência em relação à China. Desde junho, mais de 400 pessoas foram presas e mil cápsulas de gás lacrimogêneo foram utilizadas pela polícia durante os protestos.

O Exército chinês sugeriu no mês passado que poderia agir para conter a situação, apesar de o governo de Hong Kong negar a possibilidade. A crise política em Hong Kong é a pior desde 1997, quando a então colônia britânica foi devolvida à China, sob um acordo de independência jurídica. / NYT

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