Manifestações comemoram o Ano Novo curdo na Turquia

Dezenas de milhares de pessoas participaram hoje de manifestações pacíficas em várias províncias turcas para comemorar o "Norouz", o Ano Novo curdo. Enquanto os outros turcos comemoram o dia 21 de março como a chegada da primavera, os curdos festejam o ano novo com uma grande carga política, já que desde os anos 90 este se tornou um "dia de luta" por seus direitos. A maior manifestação foi a da província de Diyarbakir, onde mais de 200 mil pessoas foram ao encontro. Os participantes cantaram em turco e curdo e dançaram ao redor de uma fogueira. A manifestação terminou de forma pacífica. Entre as frases que os presentes gritaram estavam algumas a favor do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e do líder desta formação, Abdula Ocalan, preso na Turquia. A festividade se desenvolveu sem incidentes graves, exceto por um pequeno enfrentamento entre a polícia e um grupo de pessoas que queriam ir às festas sem serem revistadas. Já na província de Van, onde cerca de 30 mil pessoas se reuniram, houve confronto com a polícia. O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, advertiu da possibilidade de que alguns grupos aproveitassem os feriados e as comemorações nacionais para criar problemas. Carga política O povo curdo é a maior etnia sem Estado do mundo e reivindica a criação de uma nação própria, o Curdistão. Atualmente, os curdos são representados no novo parlamento iraquiano, juntamente com os sunitas e xiitas. Desde 1984 se calcula que mais de 30 mil pessoas morreram em ataques e enfrentamentos nesta região, onde o PKK tenta estabelecer uma entidade política independente para os 12 milhões de curdos que vivem na Turquia.

Agencia Estado,

21 Março 2006 | 16h40

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