Manifestações contra lei trabalhista continuam na França

Grupos estudantis franceses, apoiados por movimento sindicais, realizaram uma nova marcha nesta terça-feira para aumentar a pressão sobre o primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin. Os manifestantes querem que o premier retire a proposta do Contato Primeiro Emprego (CPE). Villepin encontrou-se com legisladores e expressou sua disposição em amenizar dois aspectos do CPE, mas se recusou a considerar a hipótese de cancelar o projeto inteiramente. Enquanto o premier falava, a quarta manifestação liderada por estudantes em oito dias começava, com ao menos 5 mil pessoas marchando e gritando palavras de ordem. "São as ruas que mandam!", desafiaram os estudantes. A tensão aumentou com o fim da marcha, quando centenas de manifestantes começaram a atirar pedras e garrafas contra a polícia na região dos Jardins de Luxemburgo, em Paris. Marginais infiltrados na manifestação aproveitaram o cenário caótico para roubar telefones celulares e depredar carros. Os protestos, por vezes violentos, tornaram-se o maior teste para Villepin, e ressaltaram os desafios que muitos governantes europeus enfrentam para reformar as leis trabalhistas de seus países. O turbulento debate pode mudar o rumo das eleições parlamentares e presidenciais no próximo ano. A popularidade do premier caiu e os socialistas juraram revogar a lei trabalhista caso retornem ao poder. "A lei está bem feita", disse Villepin durante um encontro com jovens desempregados em Poissy, na região oeste de Paris. Ainda assim, ele disse estar pronto para fazer mudanças no projeto e convidou os críticos para sentar à mesa e discutir. A lei, aprovada pelo Parlamento este mês, tem o objetivo de flexibilizar as contratações e encorajar as empresas a contratar jovens que enfrentam taxas de desemprego de mais de 20%, o dobro da média nacional. A lei começará a valer a partir do mês que vem. Os críticos temem que ela prejudique a estabilidade no emprego, já que permite a demissão de jovens com menos de 26 anos durante os dois primeiros anos de trabalho - sem explicação e sem o pagamento de indenizações. As atenções também estão concentradas em um manifestante que entrou em coma após o desfecho violento de um protesto em Paris, no sábado. Líderes sindicais afiram que o homem, de 39 anos, foi "violentamente pisoteado por uma tropa policial". A polícia afiram que os próprios manifestantes o atingiram. Bloqueios Os estudantes bloquearam dezenas de universidades por toda a França. Centenas de estudantes ocuparam a prestigiosa escola de ciência sociais de Paris, conhecida como EHESS, mas a situação estava calma e a polícia não foi chamada, explicou a presidente da escola Daniele Hervieu-Leger. Cerca de 300 estudantes, frustrados com a paralisação de suas escolas, realizaram uma "contra-manifestação" do lado de fora do Pantheon de Paris, não muito longe da marcha contra o CPE. Com o objetivo de por fim aos bloqueios nas universidades, os tribunais começam a intervir. No sudeste da França, uma corte ordenou na segunda-feira o fim de um bloqueio na cidade de Grenoble. O tribunal determinou que todo estudante que estiver ocupando qualquer uma das três universidades da cidade poderia ter de pagar uma multa de US$ 60 por dia, a partir de terça-feira. Para endossar os protestos, as principais associações sindicais do país convocaram uma greve geral para o próximo dia 28. A paralisação pode afetar os mais variados setores, do turismo à indústria pesada. Estudante do ensino médio também começam a tomar parte nos protestos. Segundo a principal associação secundarista do país, a UNIL, uma em cada quatro escolas já encontram-se bloqueadas pelos manifestantes.

Agencia Estado,

21 Março 2006 | 16h28

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