Polícia de Hong Kong / AFP
Polícia de Hong Kong / AFP

Policial é ferido por flecha em novos confrontos em Hong Kong

Polícia ameaça responder com munição real se manifestantes usarem armas letais e cometerem outros atos de violência

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2019 | 06h59
Atualizado 18 de novembro de 2019 | 11h06

HONG KONG - Um policial de Hong Kong foi ferido neste domingo, 17, na perna por uma flecha lançada por um manifestante durante confrontos em uma universidade na área de Kowloon, que se tornou o principal local de protestos do movimento pró-democracia na ex-colônia britânica.

O agente, que foi hospitalizado, participava de uma operação nas proximidades da Universidade Politécnica (PolyU) de Hong Kong. As forças de segurança usaram jatos de água e gás lacrimogêneo contra os manifestantes que ocupavam o campus. 

Um veículo blindado da polícia foi incendiado por coquetéis molotov quando tentava liberar o acesso a uma ponte ocupada por militantes perto do campus.

A polícia de Hong Kong ameaçou responder com munição real se manifestantes usarem armas letais e cometerem outros atos de violência. 

Para Entender

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A corporação divulgou um comunicado pedindo às pessoas - descritas como manifestantes -, que parem de usar armas letais para atacar policiais, acrescentando que os agentes responderiam com força e poderiam usar munição real se não atendessem ao pedido.

Hong Kong é cenário desde junho de um movimento sem precedentes contra a interferência de Pequim no território semiautônomo de 7,5 milhões de habitantes, que sofre a crise política mais grave desde que retornou, em 1997, à soberania chinesa. 

Barricadas

Nesta manhã, dezenas de apoiadores do governo local pró-China se reuniram para retirar as barricadas que bloqueiam, perto da PolyU, a entrada do Cross Harbour Tunnel, um dos três túneis que permitem o acesso à ilha de Hong Kong, fechado desde terça-feira.

O grupo, de 80 a 100 pessoas, conseguiu retirar os escombros, mas pouco depois os manifestantes reconstruíram as barricadas. Ao anoitecer, a polícia tentava recuperar o controle de uma ponte de pedestres que atravessa o túnel, mas os agentes foram alvos de coquetéis molotov.

Em Kowloon, militantes que estavam escondidos atrás de guarda-chuvas usaram bombas incendiárias contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo.

Horas antes, os manifestantes impediram uma tentativa da polícia de entrar no campus, lançando pedras com uma catapulta do telhado de um dos prédios da PolyU. Os militantes querem manter o controle do campus como uma base para novas ações na segunda-feira. 

Escalada das tensões

A crise entrou em uma nova fase esta semana, mais radical, com adoção pelos manifestantes da estratégia batizada como "Blossom Everywhere" (Eclosão em todos os lugares), que consiste em multiplicar os bloqueios e os atos de vandalismo, com o objetivo de testar a capacidade da polícia.

As ações provocaram o caos em Hong Kong: o metrô ficou quase completamente parado, enquanto escolas e centros comerciais permaneceram fechados.

Um texto publicado em um fórum online convocou manifestantes para uma ação durante a madrugada de segunda-feira.

No sábado, soldados chineses saíram por alguns minutos do quartel no território para ajudar a retirar escombros e barricadas. O fato, porém, tem um caráter simbólico porque a denúncia das interferências chinesas no território semiautônomo está no centro das reivindicações dos manifestantes. O governo de Hong Kong afirmou que o Executivo local não solicitou a ajuda das tropas chinesas e que a saída dos quartéis foi uma "iniciativa deles".

A imprensa estatal já advertiu que o Exército Popular de Libertação (EPL) da China se reserva a possibilidade de intervir em Hong Kong.

Início das mobilizações

A mobilização pró-democracia começou em junho com a rejeição a um projeto de lei que autorizaria extradições à China continental, onde a Justiça é controlada pelo Partido Comunista.

O texto foi retirado em setembro, mas os manifestantes ampliaram suas reivindicações, que incluem o sufrágio universal para a escolha do chefe do Executivo de Hong Kong.

Duas pessoas morreram desde o início do mês. Na sexta-feira, um gari de 70 anos morreu após ser atingido na cabeça por um tijolo arremessado por manifestantes. / AFP, REUTERS e EFE

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