Manifestações expõem fragmentação no Iêmen

Em Sanaa, oposição marcha pela saída do presidente e governistas pedem a volta ao país de Saleh, que continua internado em um hospital saudita

, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2011 | 00h00

SANAA

Milhares de opositores saíram ontem às ruas da capital do Iêmen, Sanaa, para pedir a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, que continua internado na Arábia Saudita após ser ferido em um ataque ao complexo presidencial, na semana passada. Em uma manifestação simultânea, também em Sanaa, aliados de Saleh pediram a volta do líder ao país, mostrando que o Iêmen está fragmentado e à beira da guerra civil.

No bulevar Siteen, a multidão liderada pelos chamados "jovens da revolução" marchou pedindo "um novo Iêmen livre de Saleh". Eles entoavam gritos exigindo um conselho presidencial transitório e a passagem do poder para o vice-presidente, Abd-Rabbu Mansour Hadi.

A passeata começou logo após a tradicional oração de sexta-feira, durante a qual o líder dissidente tribal Sadeq al-Ahmar fez uma reverência diante dos corpos de 41 de seus partidários mortos em confrontos com as forças de segurança.

A quilômetros dali, partidários de Saleh reuniram-se na Praça Saabin, exibindo retratos do presidente e bandeiras que demonstravam lealdade ao líder hospitalizado. "Não se poderá falar de transição no poder antes do retorno do presidente", disse, na quinta-feira, o vice-ministro da Informação, Abdu Janadi, em resposta às reivindicações dos opositores.

Ataque. Segundo fontes da inteligência americana, o atentado ao complexo presidencial, que causou queimaduras em cerca de 40% do corpo de Saleh, foi uma tentativa de assassinato organizada no próprio país.

"Ao olhar muito de perto imagens e fotografias, pudemos estabelecer que se tratava de um artefato explosivo, e não de munição militar", disse Scott Stewart, vice-presidente da consultoria de risco político Stratfor.

A organização identificou um pequeno buraco na estrutura, que poderia ter sido o local onde se colocou a bomba. Especialistas deduzem que o artefato foi levado por uma pessoa que conhecia o lugar e estava familiarizado com os hábitos diários de Saleh.

O aspecto dos escombros levanta suspeitas de que tenha sido usado um explosivo militar, que poderia ser trinitrotolueno (TNT) ou Semtex. O conjunto desses elementos, segundo Stewart, "indica uma ação organizada do interior".

Guerra de informação. O governo do Iêmen continua afirmando que Saleh está se recuperando bem na Arábia Saudita e em breve voltará ao país. Um funcionário do governo saudita disse que ele só estaria esperando a realização de uma cirurgia plástica no rosto.

O governo iemenita também foi obrigado ontem a afastar rumores de que membros da família do presidente - incluindo um filho que comanda uma unidade do Exército - haviam fugido para os Emirados Árabes. / REUTERS, EFE e AP

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