Manifestações marcam 1.º de Maio na Europa

Manifestações de sindicatos e protestos por melhores salários e mais empregos marcaram as comemorações do 1.º de Maio na Europa. Na Espanha, o clima era de esperança, devido à decisão do grupo terrorista basco ETA de interromper as ações terroristas.FrançaO 1º de Maio é celebrado na França com as tradicionais manifestações dos sindicatos, que convocaram ao longo do dia mais de cem marchas em todo o país. Os sindicatos franceses defenderam o combate à precariedade do trabalho e se mostraram dispostos a protestar contra o governo conservador e algumas medidas legais já em vigor que, na opinião deles, são prejudiciais aos trabalhadores.A Dia do Trabalho é celebrado em um clima de satisfação sindical por ter conseguido, há algumas semanas, que o governo desse marcha à ré em seu desejo de impor um novo contrato destinado aos menores de 26 anos, o Contrato de Primeiro Emprego (CPE).As centrais e as organizações jovens se mobilizaram durante dois meses contra o CPE, polêmico porque estabelecia um período de teste de dois anos nos quais o empresário podia despedir o funcionário jovem sem justificação alguma.Agora, o objetivo dos sindicatos é conseguir a retirada do Contrato de Novo Emprego (CNE), em vigor desde agosto passado, e que está destinado a trabalhadores de qualquer idade em empresas com menos de 20 assalariados, possibilitando o empresário a demitir o trabalhador sem justificação durante os dois primeiros anos.SuíçaAs organizações sindicais e a esquerda da Suíça pediram o aumento das remunerações dos trabalhadores e que o nível salarial das mulheres seja equiparado ao dos homens.Apenas nos cantões de Zurique e Berna, dos 26 que compõem a Confederação Helvética, o 1º de Maio é um dia festivo. No restante do país, apenas os funcionários públicos e os professores desfrutam de um dia de descanso, enquanto o setor privado trabalha normalmente.Cerca de 5 mil pessoas participaram de um desfile em Zurique, durante o qual o presidente do Partido Socialista, Hans-Jurg Fehr, criticou os elevados salários dos presidentes e diretores-executivos das multinacionais e outras grandes companhias suíças, que nas últimas semanas geraram uma polêmica pública. Outras manifestações são realizadas nas cidades de Lausanne e Genebra, onde os participantes desfilaram com cartazes que diziam "não à exclusão e à xenofobia".BósniaMilhares de pessoas de toda a Bósnia se reuniram em Sarajevo para pedir a renúncia do governo e da Presidência tripartida, assim como uma maior proteção social e mais trabalho. Reunidos perante a sede do governo e do Parlamento bósnios, os manifestantes gritavam "renúncia agora". Segundo dados oficiais das instituições nacionais, a Bósnia tem uma taxa de desemprego de 42%, a maior da Europa.TurquiaVárias manifestações realizadas em diversas províncias da Turquia acabaram em conflitos entre os participantes e a polícia. A maior manifestação foi convocada por sindicatos e partidos políticos na praça de Kadikoy, em Istambul. Durante a concentração, ativistas de esquerda entraram em choque com membros do Partido da Sociedade Democrática do Curdistão.EspanhaDezenas de milhares de pessoas foram às ruas em toda a Espanha para comemorar o Dia do Trabalho, desta vezem ambiente festivo e neste ano marcado pelo clima de esperança, devido à decisão do grupo terrorista basco ETA de interromper as ações terroristas. Com o lema "Pela paz - Emprego estável para todos", o 1º de Maiofoi um apelo a favor do fim da violência e uma homenagem às mais de 850 pessoas assassinadas pelo grupo armado desde 1968, em sua busca por um Estado basco independente.

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