EFE/JUAN IGNACIO RONCORONI
EFE/JUAN IGNACIO RONCORONI

Manifestações populares na Argentina voltam a reivindicar a legalização do aborto

Esta é a oitava vez que a Maré Verde toma as ruas do país para defender o projeto de Interrupção Voluntária da Gravidez

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 01h49

BUENOS AIRES, ARGENTINA - As principais cidades da Argentina voltaram a se tingir de verde nesta terça-feira, 28, para acompanhar a apresentação do projeto de lei de Interrupção Voluntária da Gravidez (IVE), que busca, em sua oitava tentativa, estabelecer a prática do aborto legal, seguro e gratuito no país.

Após se aproximar da aprovação do Senado argentino no ano passado, a Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito voltou a apresentar seu projeto no Congresso da Nação, em Buenos Aires. Nas ruas da capital argentina e de outras cidades do país, milhares de pessoas se manifestaram em apoio do projeto.

O pilar sobre o qual se sustenta esta iniciativa é o direito a abortar voluntariamente durante as primeiras 14 semanas do processo de gestação. Atualmente, o aborto só é permitido na Argentina quando evita um perigo para a saúde da mulher ou quando a gravidez é resultado de um estupro. Ainda assim, muitos médicos e alguns governos provinciais resistem em aplicar a lei, com casos de meninas de 11 anos forçadas a continuarem com a gestação.

Em 2018, o projeto de lei conseguiu, pela primeira vez, que o debate fosse levado ao Congresso argentino, onde foi aprovado pela Câmara dos Deputados. No entanto, o projeto foi barrado pelo Senado, que rejeitou a proposta com 38 votos contra, 31 a favor e duas abstenções.

Silvia Ferreyra, coordenadora nacional do Movimento de Mulheres da Matria Latino-Americana (MuMaLá), uma das organizações envolvidas na redação do projeto, disse à Agência Efe que é "muito baixa" a expectativa gerada pelo governo do presidente Mauricio Macri a respeito deste tema. "Já sabemos qual é a decisão de quem ocupa atualmente as cadeiras, porque é a mesma composição que em 2018, mas sabemos que mesmo assim vale a pena levar o debate à sociedade", explicou Ferreyra.

A ativista acredita que o ano eleitoral seja um obstáculo à chegada da proposta ao Congresso, já que o aborto não é uma plataforma capaz de "abrir o caminho" para uma reeleição de Macri, cuja base de eleitores é majoritariamente conservadora. "Estamos otimistas porque apresentamos [o projeto] há oito anos e chegamos a um ponto no qual não vamos retroceder. Se não este ano, será ano que vem, mas sabemos que será lei", afirmou.

Hoje, estima-se que 100 mulheres morrem por ano em decorrência de abortos clandestinos no país. / EFE

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