Tiksa Negeri/Reuters
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Manifestações por homicídio de músico terminam com 81 mortes na Etiópia

Hachalu Hundessa era famoso por suas canções de protesto político e vinha recebendo ameaças

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2020 | 18h56

Pelo menos 81 pessoas morreram durante os protestos que abalaram a Etiópia após a morte do popular cantor e compositor oromo Hachalu Hundessa, ocorrida na última segunda, 29, de acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira pela polícia na região de Oromia, onde vive o maior grupo étnico do país.

Todos os óbitos ocorreram na região, que inclui a capital etíope, Adis Abeba, disse à imprensa local o delegado da Comissão de Polícia de Oromia, Ararsa Merdassa.

Segundo Ararsa, 78 das vítimas eram civis e as outras três integravam as forças de segurança, e sete dessas pessoas morreram em Adis Abeba.

Famoso por suas canções de protesto político pró-Oromia, Hachalu, de 34 anos, foi morto a tiros no bairro Akaki Kality, na região sul da capital etíope. Ele chegou a ser socorrido e levado para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Embora a polícia tenha aberto uma investigação e vários suspeitos estejam sob custódia, protestos violentos de apoiadores do cantor têm sido repetidos em Adis Abeba e outras cidades de Oromia, onde o acesso à internet tem sido restrito.

Três artefatos explodiram na capital nesta terça, mas ainda não se sabe se causaram algum acidente. Cerca de 30 pessoas foram presas, incluindo o líder opositor oromo, Bekele Gerba, e o conhecido ativista étnico Jawar Mohammed.

O assassinato do cantor, que havia revelado que vinha recebendo ameaças de morte e cujo funeral será realizado nesta quinta-feira, foi condenado pelo primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, da mesma etnia.

A letra de Hachalu frequentemente abordava os direitos dos oromos e desempenhava um papel importante na onda de protestos que levou à ascensão ao poder da Abiy, em abril de 2018. /EFE

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