Manifestações rivais reúnem dezenas de milhares no Iêmen

Dezenas de milhares de pessoas favoráveis e contrárias ao presidente iemenita Ali Abdullah Saleh fizeram manifestantes rivais na capital do país na sexta-feira, em um teste ao governo do líder veterano, no poder há 32 anos.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

25 de fevereiro de 2011 | 15h13

Repetindo slogans que ecoaram pelo mundo árabe depois das revoltas no Egito e na Tunísia, os manifestantes do lado de fora da Universidade de Sanaa cantavam: "O povo exige a queda do regime".

Do outro lado da cidade, a cerca de 4 quilômetros, os partidários do governo gritavam seu apoio ao líder que, segundo eles, mantém unido um país tribal pobre e fragmentado. "O criador da unidade está em nossos corações. Nós não o abandonaremos", cantavam eles.

Dezessete pessoas morreram nos últimos nove dias numa onda contínua de protestos anti-Saleh, galvanizada pela queda dos presidentes da Tunísia e do Egito. Saleh afirmou que não cederá "à anarquia e à matança".

Nesta sexta-feira, uma pessoa morreu na cidade de Áden, no sul do país, onde mais de 10.000 pessoas saíram às ruas pedindo a queda do líder do Iêmen.

"O corpo de um homem de 20 anos foi levado ao hospital, depois que ele foi baleado na cabeça", disse uma fonte médica.

Ao menos 25 pessoas ficaram feridas durante os protestos com as balas disparadas pelas forças de segurança, afirmaram testemunhas. Forças de segurança bloquearam a cidade para evitar que pessoas das cidades vizinhas juntem-se a eles.

No distrito de Mansoura, em Áden, os manifestantes invadiram um prédio do conselho municipal e atearam fogo a um veículo do governo estacionado diante do edifício.

Na cidade de Taiz, 200 quilômetros ao sul da capital, cerca de 10.000 pessoas participaram de um protesto antigoverno.

Aliado dos Estados Unidos contra o braço da Al Qaeda sediado no Iêmen que lança ataques dentro e fora do país, o líder iemenita luta para pôr fim aos protestos que se espalham pelo país mais pobre da Península Arábica.

Ele também tenta manter uma trégua frágil com os rebeldes xiitas do norte e conter uma insurgência no sul contra o domínio do norte.

"A REVOLUÇÃO COMEÇOU"

Na frente da universidade de Sanaa, opositores a Saleh fizeram um leilão para arrecadar dinheiro para a campanha deles, vendendo um carro e um relógio, e arrecadando o equivalente a 3.000 dólares.

"A revolução começou. Ela não terminará até que todas as nossas demandas sejam atendidas", disse Fouad Dahaba, parlamentar da oposição que participou da manifestação. "Não somos menos do que o povo da Tunísia e do Egito, que foram emancipados."

Simpatizantes de Saleh, muitos dos quais chegaram em ônibus vindos de províncias de fora da capital, cantavam: "Sim à estabilidade, não ao caos".

"Não há por que tentar destruir o país e dividi-lo. Precisamos iniciar um diálogo para preservar o interesse nacional", disse Mohammad Saleh.

As autoridades intensificaram a segurança em Sanaa antes dos comícios. Um comunicado do Ministério do Interior no final de quinta-feira ordenou que as forças de segurança "aumentem sua vigilância na segurança e tomem todas as medidas para controlar quaisquer elementos terroristas" que possam se aproveitar dos protestos para se infiltrar em Sanna.

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