Manifestante é morto em comemoração de 1º de Maio em Caracas

Pelo menos uma pessoa foi morta nos incidentes que envolveram a comemoração do Dia do Trabalho na Venezuela. Em Caracas, um manifestante contrário ao governo do presidente Hugo Chávez, vestindo uma camiseta da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela, oposicionista, foi morto com dois tiros no peito. Segundo testemunhas, pessoas que usavam gorros com frases de apoio ao governo dispararam seis vezes.Este foi o único incidente fatal nas comemorações do Primeiro de Maio em todo o mundo, embora não faltassem tumultos. Em Madri a principal manifestação foi suspensa porque o líder do grupo sindical Comisiones Obreras, José María Fidalgo, foi agredido a pedradas por um manifestante.Na França, cerca de 350 mil pessoas, segundo os sindicatos, participaram de quase 300 passeatas, em todo o país, num ensaio de uma onda de greves que poderá ocorrer a partir do dia 13. O líder da Força Operária, Marc Blondel, quer convocar uma greve geral em protesto contra mudanças no sistema de aposentadorias.Em Berlim, o grupo Primeiro de Maio Revolucionário reuniu 5 mil pessoas que protestaram contra a guerra no Iraque. A manifestação transcorreu em paz até que um grupo de 200 anarquistas começou a atirar pedras e garrafas na polícia, que revidou. O conflito durou três horas. Em Neu Anspach, no centro do país, o primeiro-ministro Gerhard Schroeder foi vaiado durante um discurso em que defendia reformas.Em Londres, a polícia mobilizou 4 mil homens para conter grupos que protestavam contra o capitalismo e contra a guerra. Um porta-voz da Coalizão Parem com a Guerra disse que "as pessoas ainda estão irritadas com o que aconteceu no Iraque".A Itália inovou. Desta vez, os principais líderes sindicais resolveram fazer um Primeiro de Maio da paz, sem protestos, e escolheram a cidade de Assis, onde nasceu São Francisco, para fazerem seus discursos. Em Zurique, 7 mil pessoas protestaram contra a guerra no Iraque. Em Moscou, as manifestações reuniram 50 mil pessoas. A maior delas contou com 25 mil participantes, incluindo o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev.Em Havana, o presidente Fidel Castro fez um discurso de três horas, debaixo de forte chuva, em que justificou a recente repressão a dissidentes e o fuzilamento de três pessoas que tentavam fugir de Cuba numa balsa.Na China, o governo resolveu abreviar a comemoração do Primeiro de Maio, que normalmente leva cinco dias, por causa do surto da "pneumonia asiática", e recomendou à população que ficasse em casa.

Agencia Estado,

01 de maio de 2003 | 19h37

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