Manifestante entra em coma após protestos na França

A Promotoria de Paris anunciou nesta segunda-feira que abriu uma investigação preliminar no caso do sindicalista que entrou em coma após os enfrentamentos entre manifestantes e policiais do último sábado, em Paris. O homem, identificado apenas como Cyril, sofreu traumatismo craniano. O militante do sindicato Sud-PTT, de 39 anos, ficou ferido depois dos confrontos que seguiram a manifestação contra o Contrato Primeiro Emprego (CPE) para os jovens, apoiado pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin. O homem está internado no hospital Henri-Mondor, na capital. Segundo a Assistência Pública Hospitalar de Paris (AP-HP), o sindicalista sofreu um traumatismo craniano grave com lesões. Em virtude de seu estado neurológico e de consciência, o prognóstico "vital e funcional" é reservado. Reunidos nesta segunda-feira para decidir uma nova jornada de ação contra o CPE, no dia 28 de março, os sindicatos de trabalhadores e estudantes exigiram que se esclareça plenamente o caso do militante do Sud-PTT. Os sindicatos exigiram que se "determine rapidamente as responsabilidades". Um porta-voz do Sud-PTT indicou que o homem havia sido pisoteado violentamente pelas forças de ordem. Ele afirma que os agentes se negaram a chamar os paramédicos e os manifestantes tiveram de fazê-lo. A polícia declarou em uma nota que um homem ficou ferido perto da Praça de La Nation durante os enfrentamentos entre "grupos violentos e as força policiais". O Departamento de polícia informou no domingo que 52 pessoas (34 policiais e 18 manifestantes) ficaram feridos durante os protestos. O informe ressaltou que não houve feridos graves. Desde o começo das mobilizações contra o CPE o governo estava preocupado com a possibilidade de um incidente grave. Na semana passada, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, pediu "contenção e sangue frio aos policiais". Em 1986, o jovem Malik Oussekine morreu espancado por policiais depois de uma manifestação contra um projeto de reforma universitária apoiado pelo ministro adjunto do Ensino Superior da França, Alain Devaquet. Após o incidente, o primeiro-ministro Jacques Chirac retirou o projeto de lei e o ministro Devaquet foi demitido.

Agencia Estado,

20 Março 2006 | 20h16

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