Manifestantes anti-Morsi quebram alambrado do palácio presidencial

Milhares de pessoas marcharam rumo ao local, protegido por tanques, soldados e veículos blindados

estadão.com.br,

07 de dezembro de 2012 | 16h06

(Texto atualizado às 17h40) CAIRO - Manifestantes contrários ao presidente egípcio, Mohamed Morsi, quebraram um alambrado que protege o palácio presidencial no Cairo nesta sexta-feira, 7, mas soldados impedem que eles cheguem até o portão principal, informou a agência France Press. Mais de 10 mil pessoas estão na praça em frente ao palácio, protegido por tanques, soldados, veículos blindados e cercas de arame farpado.

Alguns manifestantes cortaram o arame farpado e escalaram os muros do palácio, beijando os policiais e soldados que o cercavam. "Da paz, da paz", gritavam. Soldados da Guarda Republicana, que tinham decretado que manifestantes rivais deixassem a vizinhança na quinta-feira, estão em frente ao portão central para proteger a principal entrada do palácio.

As manifestações foram convocadas pela oposição a Morsi. "O povo quer a queda do regime", gritou a multidão, observada pelos soldados. Os confrontos entre seculares e islamitas que marcaram os protestos no Cairo e em Alexandria nos últimos dias deixaram pelo menos sete mortos e 644 feridos.

Os manifestantes exigem que o presidente anule o decreto que dá a ele poderes quase absolutos e que ele não coloque em referendo um projeto de Constituição favorável aos preceitos islamitas no dia 15 de dezembro.

Morsi discursou na noite de quinta-feira e propôs um diálogo com a oposição no sábado, mas a coalizão opositora ao regime rejeitou a proposta nesta sexta-feira. A Frente de Salvação Nacional disse que decidiu "recusar a participação no diálogo proposto pelo presidente, amanhã, sábado".

Apoio

Os islamitas realizaram a própria manifestação de apoio ao governo durante o sepultamento dos corpos de dois partidários da Irmandade Muçulmana, abatidos em confrontos com os seculares na quarta-feira. A procissão fúnebre, que partiu da mesquita de Al-Azhar, reuniu milhares de islamitas, que prometeram vingança pelas mortes. "O Egito é islâmico, o Egito nunca será secular", gritaram os partidários da Irmandade, chamando os líderes opositores seculares de "assassinos" e "traidores".

Referendo

O vice-presidente do Egito, Mahmoud Mekky, afirmou nesta sexta-feira que Morsi pode adiar o referendo sobre a nova Constituição do país, previsto para ser realizado no dia 15, se isso puder evitar uma contestações judiciais. A declaração de Mekky foi transmitida pelo canal televisivo egípcio CBC.

Com Reuters e AP 

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