Manifestantes atacam palácio presidencial no Egito

No 8º dia de protestos contra Morsi, polícia usa jatos d'água para afastar opositores de prédio; crise já deixou 60 mortos

CAIRO, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2013 | 02h04

Milhares de egípcios retornaram ontem às ruas para denunciar o governo da Irmandade Muçulmana, no oitavo dia de distúrbios. Em várias cidades houve confronto entre manifestantes e policiais. No Cairo, a multidão tentou avançar sobre o palácio presidencial e um homem de 23 anos foi morto. A onda de instabilidade já deixou 60 mortos.

A oposição acusa o presidente Mohamed Morsi de ter "sequestrado" o levante popular que derrubou o ditador Hosni Mubarak. Manifestantes exigem que Morsi forme um governo de união nacional e revogue partes da nova Constituição, aprovada no fim do ano passado sob boicote de grupos laicos e cristãos.

Ontem, porém, começaram a aparecer sinais de cisão no campo opositor. Manifestantes denunciaram o encontro - realizado na quinta-feira - entre seus líderes e representantes de facções islâmicas, incluindo a Irmandade. A reunião, organizada pela mais importante instituição islâmica do Egito, a Al-Azhar, ocorreu após o ministro da Defesa, Abdel Fattah al-Sisi, ter alertado que a discórdia entre as forças políticas levariam ao "colapso do Estado".

Em várias cidades do Egito, opositores e forças de segurança travaram uma batalha de coquetéis molotov, bombas de gás lacrimogêneo e munição de borracha. Em meio aos distúrbios no palácio presidencial do Cairo, no bairro de classe alta de Heliópolis, um jovem de 23 anos foi morto com um tiro no peito e 53 outras pessoas ficaram feridas nos confrontos, que só terminaram após afastar a multidão com canhões d'água. O governo, que manteve silêncio sobre últimos ataques, desta vez reagiu com uma nota oficial depois que os manifestantes queimaram uma árvore do palácio.

O epicentro da violência no Egito, porém, não está na capital, mas em Port Said, no extremo norte do Canal de Suez. Estima-se que mais de 45 pessoas tenham morrido na região nos oito dias de protestos, apesar de Morsi ter decretado estado de emergência em três cidades por onde passa o canal.

Ontem, os moradores de Port Said voltaram em massa às ruas, aos gritos de "Vá embora, Morsi". A situação na cidade saiu do controle dos policiais depois que a Justiça condenou à morte 21 torcedores em razão da tragédia durante um jogo de futebol, em fevereiro, que matou mais de 70 pessoas. A situação piorou ainda mais depois que o presidente deu apoio incondicional à polícia, apesar das denúncias de arbitrariedade. Morsi também recorreu ao estado de emergência, instrumento de exceção que marcou a ditadura de Mubarak.

Entre os manifestantes, há cada vez mais grupos radicais armados. Nessa nova onda de violência surgiu uma facção anarquista que se autodenomina "Bloco Negro", cujos integrantes, encapuzados, atacam forças policiais. / REUTERS

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