Manifestantes bloqueiam aeroportos na França

Grevistas também atrapalham distribuição de combustíveis contra reformas na previdência

Agência Estado e Associated Press

20 de outubro de 2010 | 13h33

Passageiros de voos do aeroporto Orly, no sul de Paris, seguem a pé até o terminal.

 

PARIS - Trabalhadores que se opõem ao aumento da idade para a aposentadoria na França bloquearam nesta quarta-feira, 20, os acessos aos aeroportos na capital e de outras partes do país, enquanto grupos de jovens quebravam vitrines de lojas em meio a nuvens de gás lacrimogêneo nas proximidades de Paris.

 

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A polícia retirou os grevistas dos depósitos de combustível no oeste da França, restabelecendo o fornecimento de gasolina para locais onde as bombas estavam secas após semanas de protestos por causa da proposta de elevar de 60 para 62 anos a idade para a aposentadoria no país.

 

No subúrbio parisiense de Nanterre e na cidade de Lyon, no sudeste, a polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, mas nem assim conseguiu controlar a violência. Após meses de protestos, em sua maioria pacíficos, muitos manifestantes tomaram atitudes violentas nesta semana. O presidente Nicolas Sarkozy prometeu que seu partido vai aprovar a reforma no Senado, o que deve acontecer amanhã.

 

Para muitos trabalhadores a mudança será o primeiro passo da corrosão dos benefícios sociais no país - que incluem longas férias, contratos que dificultam a demissão e um sistema de saúde subsidiado pelo governo - em favor de um "capitalismo no estilo norte-americano".

 

Nesta quarta, Sarkozy disse que vai "levar a reforma da previdência até o fim". E, apesar da longa tradição francesa em relação a greves e protestos, a paciência oficial parece estar acabando após semanas de confusão no trânsito, voos cancelados e problemas no fornecimento de combustível e, agora, a violência urbana.

 

Os manifestantes bloquearam a principal via que leva a um dos dois terminais do aeroporto de Orly e depois impediram o trânsito na outra via, informou a autoridade aeroportuária. No aeroporto Charles de Gaulle, no norte de Paris, o maior da França, os manifestantes cantaram o hino nacional antes de romper uma barreira policial. "É como se estivéssemos em outro planeta", disse o canadense Olivier Lejour, esperando para decolar do Charles de Gaulle. Embora considere "curioso" observar os acontecimentos, ele disse que os protestos alteraram sua intenção de trabalhar em Paris.

 

Segundo a central sindical CGT, os manifestantes também fecharam o aeroporto Clermont-Ferrand, no Sul, e atrapalharam os serviços em Nice e em Nantes. Com a falta de combustível em quase um terço dos postos de gasolina do país, as autoridades se apressaram durante a noite em abrir três depósitos de combustível que estavam sob bloqueio dos grevistas. Não houve incidentes, informou o ministro do Interior, Brice Hortefeux.

 

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Na última semana, 1.423 pessoas foram detidas por envolvimento em episódios de violência relacionados aos protestos, a maioria delas ontem. Dessas, 123 foram indiciadas.

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