AP Photo/Fernando Llano
AP Photo/Fernando Llano

Protestos bloqueiam ruas na Venezuela e opositor desafia governo a prendê-lo

Manifestantes utilizaram barricadas de lixo e arvores derrubadas para interromper trânsito em Caracas e no interior

Felipe Corazza ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S. Paulo

02 Maio 2017 | 16h02

CARACAS  - Centenas de manifestantes venezuelanos bloquearam nesta terça-feira, 2, ruas e estradas em Caracas e outras cidades da Venezuela, em protesto contra a convocação pelo presidente Nicolás Maduro de uma Assembleia Constituinte, o que afasta a possibilidade de eleições gerais exigidas pela oposição.

O principal líder da oposição, Henrique Capriles, qualificou o processo de “fraude” e prometeu resistir à medida “mesmo que tenha de ir preso”. O governo criou uma comissão presidencial liderada por Elías Jaua, ex-vice-presidente do próprio Maduro, para esclarecer “nas ruas” como será o processo. À oposição, Maduro anunciou um convite para reuniões nas quais seriam detalhados os pontos da mudança.

Hoje, uma nova informação nos bastidores do chavismo era de que haverá uma cota de integrantes da Assembleia Nacional Constituinte nomeados pela legenda de Maduro, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Ao anunciar o plano, que serviria entre outras coisas para “reformar a Assembleia Nacional” – órgão máximo do Legislativo hoje dominado pela oposição, Maduro mencionou um número de 500 integrantes e “de 200 a 250 eleitos entre as bases populares”. 

A grande dúvida é a respeito da participação da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) no processo constituinte. Dividido, o grupo tem entre os partidos que o formam alguns que defendem não haver qualquer motivo para aceitar uma Constituinte.

Outros defendem uma participação, mencionando as eleições legislativas de 2005, quando a oposição decidiu boicotar o processo e acabou deixando todos os assentos da Assembleia Nacional para o chavismo.

A manifestação de hoje, convocada às pressas após o anúncio da Constituinte, teve adesão menor do que os protestos de 1.º de Maio e na penúltima semana de abril. A iniciativa para fechar as principais vias de circulação do país foi colocada em prática em dezenas de pontos da capital e do interior. 

Panelas e buzinas soavam nas ruas bloqueadas com barricadas de lixo. Uma enorme bandeira da Venezuela foi aberta no chão nos arredores de Altamira, reduto da oposição no leste da capital. O tráfego de veículos na estrada Francisco Fajardo, que atravessa de leste a oeste Caracas, foi parcialmente interrompido e centenas tiveram de se deslocar a pé para os seus empregos.

Moradores denunciaram à imprensa local que as forças de segurança usavam gás lacrimogêneo para quebrar os bloqueios nas áreas de El Paraiso (oeste) e La Urbina (leste). A iniciativa de Maduro foi qualificada pelos líderes da oposição, em geral, como um novo “golpe de estado”, e uma estratégia para retardar as eleições presidenciais, que estão previstas constitucionalmente para 2018, mas que os opositores tentam fazer com que sejam realizadas este ano. 

"Esta Constituinte anunciada por Maduro é uma manipulação para escapar das eleições. O meu voto não vale mais ou menos do que o de ninguém", disse à agência France-Presse Raúl Hernández, um estudante universitário de 22 anos que bloqueava com uma centena de pessoas a avenida Francisco de Miranda, uma das principais estradas do leste de Caracas. / COM REUTERS, EFE e AFP

Mais conteúdo sobre:
VenezuelaNicolás MaduroCaracas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.