Manifestantes bolivianos intensificam exigências em Camiri

A população boliviana de Camiri radicalizou neste domingo sua exigência ao governo de Evo Morales, para que a nacionalização petrolífera seja mais profunda, e decidiu manter o bloqueio da estrada que liga o país à Argentina e ao Paraguai.O fracasso na tentativa de iniciar uma negociação no conflito, que neste domingo completou uma semana, aumentou a tensão na região sul do país depois que, no sábado, as forças da ordem retomaram o controle de uma estação de bombeamento e armazenamento de gás e petróleo da empresa Transredes, deixando 12 feridos.Reticentes diante da possibilidade de ter um encontro direto com as autoridades, os líderes da mobilização de Camiri pretendem iniciar uma negociação por intermédio de uma comissão, formada pelos presentes em um comício realizado esta manhã.Os representantes do governo, que estão no local desde sábado, exigem aos líderes do Comitê Cívico de Camiri uma "trégua humanitária" no bloqueio, como condição para começar uma rodada de conversas na mesma localidade.O vice-ministro de Coordenação com os Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, fez o pedido para permitir que as pessoas e os quase 400 veículos afetados pelo bloqueio possam transitar pela rota, bloqueada desde segunda-feira.A assembléia de habitantes, reunida na sede do Comitê Cívico, rejeitou o pedido governamental, e transmitiu sua decisão por intermédio de uma comissão que visitou as autoridades no quartel militar, onde esperam para dialogar, segundo pôde comprovar um colaborador da EFE.O vice-presidente da organização, Marcelo Arandia, declarou que a assembléia quer saber a resposta oficial para seus pedidos, para analisá-la e só depois decidir se aceita uma rodada formal de conversas.Justificativas O Comitê Cívico de Camiri exige uma "verdadeira nacionalização" dos hidrocarbonetos, para que a empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) seja reorganizada e opere os poços diretamente, e que não se limite apenas a supervisionar o trabalho das multinacionais.Frente a isto, Llorenti disse que é essencial declarar uma trégua no bloqueio da estrada, para que as conversas possam acontecer, já que podem ser necessárias muitas horas até que se encontre uma solução para o conflito.Em La Paz, o presidente Morales justificou a ação militar para retomar o controle das instalações da Transredes, e pediu aos dirigentes da mobilização que negociem, para não continuar prejudicando o país."Este tipo de ação não pode ocorrer. Todos temos direito a mobilizar-nos, mas tomar a fábrica só prejudica o país", afirmou o líder, no quartel militar de Viacha, que fica perto da sede do governo.Ao seu lado, o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, ratificou a determinação do Governo socialista de cumprir a legislação vigente, e confirmou que o Executivo deve criar uma gerência de operações e outra corporativa da YPFB em Camiri.Segundo Quintana, o pedido do Comitê Cívico implica na expropriação de bens das multinacionais que operam na Bolívia, o que "o governo não fará", pois "há um modelo de nacionalização" que não será abandonado.Os dirigentes civis convocaram a população para um novo comício, com o objetivo de analisar a situação, e adotar novas medidas de pressão, frente ao que consideram uma intransigência do governo Morales.

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