Manifestantes cercam residência de governador em La Paz

Movimentos indígenas e de trabalhadores campesinos das montanhas de Omasuyos, província do departamento (estado) de La Paz, se anteciparam à greve geral marcada para o dia 22 e cercaram na manhã desta sexta o quarteirão onde fica o palácio do governador da capital, José Luis Paredes, um opositor do presidente boliviano, Evo Morales. A manifestação que reuniu 2 mil pessoas, segundo a polícia, e 10 mil, na conta dos organizadores, surpreendeu as forças de segurança. Cerca de trezentos policiais armados foram deslocados para as ruas próximas à praça Murillo, onde também se localiza o palácio presidencial Queimado. Com bombas de gás e armas de fogo, os policiais fizeram uma série de barreiras para impedir o avanço dos manifestantes. Os campesinos soltaram fogos de artifício e jogaram pedras nos policiais. "Queremos a renúncia de José Luis Paredes, que quer acabar com o governo do presidente Evo Morales e dividir a Bolívia", disse Ruperto Quispe, líder da manifestação. Palácio é fechado às pressasOs manifestantes conseguiram chegar a 200 metros da sede do governo do departamento de La Paz. O palácio foi fechado às pressas. Os comerciantes da área também fecharam as portas, temendo um confronto entre policiais e campesinos. "Vai pro caralho, Pepelucho (José Luis)", gritavam os manifestantes, evocando os diminutivos dos dois primeiros nomes do governador. Em seguida, os campesinos e índios tentaram passar sem sucesso pelo bloqueio da polícia. A ação policial foi enérgica, não permitindo a passagem deles. Após uma rápida assembléia, o grupo decidiu marchar até a residência do governador, a 30 minutos a pé do palácio. Antes, os manifestantes queimaram pneus, lixos e caixas de madeira. Grupos de mulheres de Omasuyos também participaram do protesto. Na província de Omasuyos estão os mais combativos e radicais grupos sociais de La Paz. Os principais movimentos sociais da Bolívia, ligados ao presidente Evo Morales, querem a renúncia dos governadores opositores da capital, José Luis Paredes, e de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, defendem maior autonomia em relação ao governo central. Reys Villa chegou a fugir de Cochabamba, para evitar os manifestantes que tomaram a sede do governo por 24 horas nesta semana. Ele voltou à cidade, após aceitar proposta de Evo Morales de convocar um referendo sobre a permanência de todas as autoridades eleitas. Já Paredes não aceitou a proposta e acusou Evo Morales de inflamar os manifestantes. O protesto desta sexta-feira também pegou de surpresa líderes da Fejuve, a forte entidade que reúne as associações de moradores da cidade de El Alto, também no departamento de La Paz, a 12 quilômetros do centro da capital. A Fejuve de El Alto decidiu na madrugada de quarta-feira para quinta-feira realizar uma greve geral contra Paredes, na próxima segunda-feira. Ontem, a entidade buscava apoio de sindicatos e outras organizações sociais das demais cidades de La Paz. A Fejuve avalia se fará uma marcha até a capital para defender a saída de Paredes. El Alto fica a 4,1 mil metros de altitude, 450 metros acima do centro da capital. Embora ministros do governo Evo tenham feito reiteradas declarações nos últimos dias contra a saída dos governadores, a oposição no Congresso reclama que o presidente não se esforça para conter a onda de protestos. "Isso tudo pode ser uma ameaça para o próprio governo Evo Morales", avaliou o deputado Peter Maldonado, líder da bancada da Unidade Nacional, partido de centro-esquerda que se opõe ao presidente. "Queremos um processo político sem manifestações e greves de radicais."

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