Manifestantes chineses mobilizam-se novamente contra Carrefour

Centenas de chineses realizarammanifestações na frente de lojas da cadeia de supermercadosfrancesa Carrefour, nesta quinta-feira, criticando as campanhasde independência do Tibet e declarando apoio às Olimpíadas dePequim, disse a agência chinesa de notícias Xinhua. "Estamos aqui por causa do que aconteceu em Paris, ondehouve protestos violentos. Estamos aqui para mostrar que omundo lá fora não entende a China, que o povo chinês está unidoe resoluto, mas, conforme vocês podem ver, não é de nenhumaforma violento", afirmou um manifestante, que forneceu apenasseu sobrenome, Lan. O Carrefour tornou-se alvo da indignação dos chineses,enfrentando manifestações de nacionalismo, depois da conturbadapassagem da tocha olímpica por Paris, quando manifestantespró-Tibet tentaram arrancar a tocha de Jin Jing, um atletadeficiente físico que a carregava sentado em uma cadeira derodas. A Xinhua afirmou que centenas de manifestantes agitarambandeiras da China e gritaram palavras de ordem contra oCarrefour e a "independência do Tibet" na frente de lojas darede francesa localizadas nas cidades de Changsha, Fuzhou,Shenyang e Chongqing. Em Fuzhou (sul), os manifestantes distribuíram bandeiraschinesas e panfletos. "Cerca de 400 pessoas estão reunidas na praça para discutiros planos de protesto", disse a Xinhua a respeito de Fuzhou."Autoridades da cidade e cerca de 40 policiais chegaram aolocal para manter a ordem." Em Changsha (sul), cerca de 200 manifestantes "tentaramconvencer as pessoas a não realizar compras naquela loja (doCarrefour)", afirmou a agência de notícias. Na cidade turística de Xian, onde ficam os Guerreiros deTerracota, cerca de 25 jovens realizaram uma manifestaçãoorganizada do lado de fora do Carrefour, exibindo faixasvermelhas nas quais se liam as frases: "Boicotem o Carrefour oquanto antes" e "Boicotem a França". O aparato de segurança das lojas de Pequim e de Xangaiviu-se intensificado, mas a maior parte dos consumidores agiucomo se nada estivesse acontecendo. Um pequeno número demanifestantes reuniu-se na capital chinesa. "Demorará até que o Carrefour recupere sua imagem", disse adona de casa Lin Zhao, 60 anos, ao realizar compras na loja dacadeia em Pequim. No mês passado, os chineses foram às ruas de várias cidadesa fim de defender um boicote contra produtos franceses einvestiram contra o Carrefour em seus protestos. Os usuários chineses da Internet acusaram a rede francesade dar apoio a grupos pró-independência do Tibet que tentamatrapalhar os Jogos Olímpicos de Pequim. Os defensores do boicote afirmam que marcas do grupo LVMH,que fabrica produtos sofisticados, "doaram um monte de dinheiropara o Dalai Lama", líder espiritual do Tibet no exílio. Do Carrefour, 10,7 por cento é de propriedade da BlueCapital, uma holding controlada pelo grupo Colony Capital epelo bilionário francês Bernard Arnault, presidente ediretor-executivo do grupo LVMH. O governo da China, em um esforço para moderar o fervornacionalista dos manifestantes, veio a público na semanapassada a fim de proteger a rede de supermercados francesa,elogiando a forma como a empresa administra seus negócios nopaís asiático e agradecendo-a por dar apoio às Olimpíadas desteano. O presidente do quadro de diretores do Carrefour, José LuisDurán, negou as acusações de que dava apoio ao Dalai Lama, alvode duras críticas do governo chinês. Mas a cadeia de supermercados cancelou uma promoção marcadapara ocorrer no feriado do Dia do Trabalho. "Considerando a situação atual, decidimos cancelar esseevento", afirmou a empresa em um comunicado enviado por email.

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