Manifestantes criticam a cobertura da guerra pela televisão

Os americanos contrários à guerra contra ao Iraque que se manifestaram nas ruas de várias cidades americanas, durante o fim de semana, denunciaram duramente os meios de comunicação, e particularmente a televisão, pela cobertura do conflito. Em Los Angeles, participantes de uma marcha carregavam cartazes com a inscrição ?CNN, Censorship New Network?, ou ?rede de censura de notícia?. Em Nova York, onde cerca de 200 mil pessoas participaram de manifestações em favor da paz, muito criticaram a ?glorificação? do conflito pelos repórteres que acompanham as tropas e pelos vários ex-generais e ex-oficiais americanos contratados para analisar o avanço das tropas. Neste domingo, as queixas estavam fadadas a aumentar diante da decisão das redes de televisão americana de não colocar no ar as imagens de soldados americanos mortos e tomados prisioneiros pelas forças iraquianas em algum ponto ao norte de Basra. O vídeo, feito pelo governo de Bagdá, foi exibido ontem pela Al-Jezira, a emissora de Catar, e reproduzida nas televisões em todo o mundo. Mas, horas mais tarde, elas não haviam sido exibidas pelas redes americanas e nenhuma explicação fora oferecida ao público. A decisão do Pentágono de incorporar centenas de repórteres, produtores e operadores de câmara nas unidades de combate foi, até agora, uma bonanza em matéria de propaganda para as forças americanas. Cuidadosamente desenvolvido para responder às duras críticas da imprensa à exclusão dos jornalistas durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, o plano recebeu apenas aplausos dos jornalistas. Os repórteres das redes de televisão, como David Blum, da NBC, mal disfarçaram sua excitação ao apresentar seu relato sobre o avanço da divisão de infantaria blindada em território iraquiano, do topo de um tanque Abrams, na primeira noite da invasão. ?Como jornalista, procurou manter minha independência, mas como cidadão, posso dizer que os relacionamentos com os nossos soldados e o tratamento que eles nos tem dado é espetacular?, disse Blum. Veteranos, como Ted Koppel, da rede ABC, apresentaram reportagens claramenrte sentimentais sobre os soldados, imagens mostrando as fotografias de família e outros objetos de estimação que carregam consigo no campo de batalha.Alguns jornalistas que cobrem a guerra no Pentágono não escondem seu aparente entusiasmo com a guerra. No sábado, um repórter interessado em saber se haveria novos bombardeios em Bagdá, parecidos ao que atingiu 19 alvos na cidade, na sexta-feira, perguntou ?quando será o próximo show?. As informações sobre o avanço das tropas, os tipos de munições disparados e de alvos atingidos transmitidas pelos repórteres que estão com as tropas não agradaram de todo os chefes militares americanos. O general Tommy Franks, comandante-geral das forças americanas, deu sua primeira entrevista coletiva apenas três dias depois do início da guerra porque estava contrariado com a quantidade e o grau de detalhe das informações divulgadas pela televisão. Na quinta-feira, a porta-voz do Pentágono, Victoria Clarke, fez uma advertência aos editores de televisão, numa conferência telefônica. ?Não há outra maneira de dizer isso, essa são imagens extraordinárias de um momento da guerra?, disse Aaron Brown, âncora da rede CNN. Mas, na realidade, até agora as imagens resumiram a cenas do progresso e do sucesso das forças americanas. O próprio secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, endossou a cobertura, que chamou de ?robusta e histórica?. ?Duvido que num conflito desse tipo tenha havido uma cobertura livre como estamos vendo desta vez?. Jornalistas experientes que já cobriram outros conflitos recomendam, no entanto, que se reserve o julgamento final da experiência para depois que as câmaras e os jornalistas que estão com as tropas captarem imagens e informações sobre operações mal sucedidas e tragédias da guerra. ?Esse será o teste?, disse, há dias, a correspondente da CNN no Pentágono, Barbara Starr. Veja o especial :

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.