Athit Perawongmetha/Reuters
Athit Perawongmetha/Reuters

Manifestantes de Hong Kong em contagem regressiva para desmonte de acampamento

Os líderes estudantis de Hong Kong prometeram nesta quarta-feira permanecer numa importante via expressa do bairro de Admiralty até o último momento e resistir pacificamente a operação da polícia para limpar o local onde manifestantes estão acampados há mais de dois meses.

Estadão Conteúdo

10 de dezembro de 2014 | 11h26

Dezenas de ativistas e centenas de barracas continuavam na importante via nas proximidades da sede do governo, menos de um dia antes da ação para retirá-los do local, marcada para quinta-feira.

Os dois grupos de estudantes que tiveram participação importante na organização dos protestos pediram a seus partidários que se unam a eles no local antes da meia-noite, horário em que, segundo rumores, a polícia pretende isolar o local.

Autoridades porém, anunciaram que não se dirigirão para a área antes das 9h de quinta-feira (horário local). Um graduado policial negou que exista qualquer plano para isolar o local à meia-noite.

"Vamos resistir até o último momento", disse Alex Chow, secretário-geral da Federação de Estudantes de Hong Kong. Ele afirmou que a razão para permanecer até fim "não é apenas ser detido, mas demonstrar nosso espírito" de desobediência civil.

Joshua Wong, líder de 18 anos do grupo Scholarism e figura de destaque do movimento, pediu aos partidários que lembrem dos princípios de não violência e não obstruam os trabalhos de retirada do acampamento ou da polícia.

"Se o governo quer usar a polícia para limpar o local, não se esqueçam, a remoção não pode resolver os conflitos políticos, não pode resolver os dilemas da sociedade."

Embora alguns manifestantes já tenham arrumado seus pertences, muitos prometeram que isso não significa o fim do movimento pró-democracia. Balões em forma de letras e grandes faixas amarelas afirmam que "nós voltaremos".

Muitos partidários e até turistas e pessoas que trabalham em escritórios visitaram o local para aproveitar a oportunidade de tirar uma última fotografia como lembrança do que ficou conhecido como o "movimento do guarda-chuva ("umbrella movement), uma referência ao método favorito dos manifestantes para escapar do spray de pimenta.

Os manifestantes rejeitam as restrições impostas por Pequim para as primeiras eleições diretas para o cargo de principal líder da cidade, marcadas para 2017. Eles querem que qualquer pessoa possa se candidatar, mas o governo central chinês exige que os candidatos sejam aprovados previamente. Apesar dos 74 dias de protestos, os estudantes não conseguiram qualquer concessão do governo de Hong Kong. /AP

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