Ye Aung Thu/AFP
Ye Aung Thu/AFP

Manifestantes de Hong Kong fazem fuga dramática durante protesto em universidade

Tamanho das manifestações diminuiu nas últimas semanas, mas os confrontos se intensificaram desde a semana passada

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2019 | 22h09

HONG KONG - Dezenas de manifestantes em Hong Kong protagonizaram uma fuga dramática de um câmpus de uma universidade que estava cercado pela polícia nesta segunda-feira, 18, estendendo mangueiras de plástico de uma ponte e partindo em motocicletas que esperavam do lado de baixo, enquanto a polícia atirava projéteis.

Muitos outros manifestantes contrários ao governo continuavam aprisionados do lado de dentro da Universidade Politécnica de Hong Kong e a entrada de dois importantes negociadores foi permitida no câmpus pela polícia na noite de segunda-feira para mediação, um sinal de que há um risco crescente de violência.

“A situação está ficando cada vez mais perigosa”, disse Jasper Tsang, um político pró-Pequim que é o ex-chefe do Conselho Legislativo de Hong Kong, à agência Reuters pouco depois de chegar ao câmpus.

Enquanto ele falava, grandes explosões foram ouvidas e chamas ardiam em uma parte distante do campus. Em ruas próximas, manifestantes arremessavam coquetéis molotov e queimavam carros e a fachada de uma agência bancária do Standard Chartered.

A Universidade Politécnica no Distrito de Kowloon em Hong Kong é o epicentro de um impasse na última semana e tem visto os piores episódios de violência nos últimos cinco meses de manifestações contra o governo.

Alguns dos manifestantes que escaparam nesta segunda-feira desceram de uma ponte de cerca de 10 metros de altura que havia sido ocupada no campus para um viaduto abaixo. Eles então se retiraram em velocidade com o auxílio de motocicletas que os esperavam.

Mas vários deles parecem ter sido presos logo após a fuga, afirmou uma testemunha à agência Reuters

Outros manifestantes, atirando coquetéis molotov, tentavam repetidamente invadir o câmpus, mas a polícia atirava bombas de gás lacrimogêneo e utilizava canhões de água para afastá-los.

O tamanho das manifestações diminuiu nas últimas semanas, mas os confrontos se intensificaram desde a semana passada, quando a polícia atirou em um manifestante, um homem foi incendiado e o distrito financeiro da cidade foi inundado de gás lacrimogêneo no meio do expediente.

A autoridade hospitalar da cidade reportou 116 feridos na segunda-feira, incluindo uma mulher que estava em estado grave.

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Mais cedo na segunda-feira a polícia apertou o cerco à Universidade Politécnica e impediu que dezenas de pessoas passassem pelas linhas policiais.

A polícia afirmou que agentes haviam sido destacados para o “o perímetro” do campus por uma semana, apelando para que os “depredadores” deixassem o local. /REUTERS 

 

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