Manifestantes defendem reforma política

Os manifestantes da Porta do Sol, em Madri, têm expressado suas críticas ao modelo político espanhol, polarizado entre os socialistas do PSOE e os conservadores do PP. O grupo pede uma "democracia real", mas não há consenso se isso poderia ser com um novo partido político ou uma via alternativa.

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2011 | 00h00

"É fato que temos quase um bipartidarismo na Espanha, mas queria mesmo que nossos pedidos fossem ouvidos", diz a operadora de telemarketing Silvia Van Teslaar. Desde 1982, socialistas e conservadores têm se revezado no Palácio de Moncloa, sede do governo espanhol.

"Esses partidos políticos não devem continuar, são todos corruptos. Temos de mudar a situação e é por isso que estamos aqui", diz o autônomo Luís Sanchez que defende uma saída democrática, mas sem partidos políticos. "A organização social pode mudar as coisas, não os partidos". Provocado, o autônomo rechaçou a ideia de que um país sem partidos políticos seja um regime totalitário.

Tanta diferença no discurso dos manifestantes e a ausência de uma proposta efetiva eram apontadas por vários cientistas políticos e sociólogos como as principais causas de um esperado enfraquecimento. "Nunca houve um objetivo claro. Faltava a esse grupo um marco simbólico e uma identidade forte", diz o sociólogo da Universidade Complutense de Madri Félix Ortega, que rechaçou com veemência a comparação do protesto com as recentes manifestações no Norte da África.

Em artigo, o especialista em filosofia política e social da Universidade do País Vasco Daniel Innerarity argumentou que a indignação é uma virtude cívica, mas insuficiente para mudar a situação. "Pode ser que essa explosão de protestos irados seja menos transformadora que o esforço para introduzir pacientemente algumas melhoras". Prevendo o fim do movimento nos próximos dias, o professor de inglês desempregado Guillermo Ortiz diz que, mesmo assim, a experiência vale a pena. "No final das contas, demos nossa contribuição. No meu caso economizei com a terapia."

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