Bobby Yip / AP
Bobby Yip / AP

Manifestantes desafiam proibição e saem as ruas em Hong Kong

Polícia disparou balas de borracha contra milhares de pessoas que protestavam em Yuen Long, perto da fronteira com a China; no mesmo local, ativistas pró-democracia foram atacados no domingo por supostos membros de gangues

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2019 | 08h29
Atualizado 28 de julho de 2019 | 09h22

HONG KONG - A polícia de Hong Kong disparou balas de borrachabombas de gás lacrimogêneo neste sábado, 27, contra milhares de manifestantes em um protesto proibido em Yuen Long, perto da fronteira com a China, onde ativistas pró-democracia foram atacados por supostos membros de gangues na semana passada.

Emissoras de televisão transmitiram imagens que mostravam os agentes lançando bombas de gás contra uma multidão em Yuen Long, depois que alguns manifestantes jogaram objetos nos policiais e cercaram uma viatura.

Os agentes atiraram com balas de borracha para dispersar os manifestantes que ainda estavam no local. Novos confrontos tiveram início em uma estação, onde oficiais com cassetetes e escudos abordaram e prenderam vários manifestantes, deixando poças de sangue no chão. Autoridades de saúde afirmaram que nove pessoas ficaram feridas, cinco delas em estado grave.

No domingo, homens vestindo camisetas brancas e armados com bastões espancaram manifestantes opositores que voltavam para casa após um protesto, em uma estação e em um vagão do metrô em Yuen Long. Segundo informações dos hospitais locais, 45 pessoas ficaram feridas na ocasião.

A polícia, muito criticada por sua lentidão na atuação, disse que foram presas 12 pessoas ligadas a atos violentos, sendo 9 ligadas a gangues.

Neste sábado, foi convocado um protesto no mesmo local contra o ataque de domingo, mas a polícia decidiu proibi-lo - algo incomum - alegando que havia o risco de que os manifestantes atacassem os moradores locais. No entanto, a população de Hong Kong decidiu ignorar as autoridades e seguiu adiante com a organização do protesto.

A marcha começou pacificamente, mas pequenos grupos de manifestantes radicais, muitos com capacetes e escudos, entraram em confronto com as autoridades, acusadas de apoiar as gangues. 

A tensão aumentou quando alguns manifestantes jogaram objetos nos agentes e picharam uma van da polícia, que respondeu jogando gás lacrimogêneo contra a multidão, o que desencadeou confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

A rede de transporte público de Hong Kong anunciou que seus trens não fariam suas paradas habituais em Yuen Long neste sábado. Várias empresas e instalações públicas fecharam antes da marcha. Pouco antes dos atos, um homem foi preso na região por ferir outro com uma faca, segundo a polícia.

Palco das manifestações 

Os protestos em massa em Hong Kong começaram em junho, alguns dos quais foram marcados por incidentes violentos entre a polícia e manifestantes radicais. O movimento começou em reação a um projeto de lei, agora suspenso, que autorizava extradições à China continental.

As manifestações se expandiram, passando a exigir igualmente que as liberdades democráticas desfrutadas por Hong Kong, incluindo a liberdade de expressão e a independência da Justiça, fossem mantidas.

Os manifestantes também pedem a renúncia da chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, que tem o apoio de Pequim, bem como a retirada definitiva do projeto de lei de extradições, uma investigação independente sobre a violência policial e a anistia das pessoas presas, entre outras demandas. / AFP e AP

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