Manifestantes do Bahrein dizem que não deixarão centro de Manama

Protestos contra governo do rei Hamad bin Isa al-Khalifa já deixaram dois mortos

Efe e Associated Press

16 de fevereiro de 2011 | 09h47

Manifestantes protestam durante o funeral de jovem morto ontem. Foto: Hamad I Mohammed/Reuters

 

 

CAIRO - Os milhares de manifestantes que pernoitaram em uma praça de Manama, na capital de Bahrein, após tomarem o centro da cidade exigindo reformas econômicas e políticas garantiram nesta quarta-feira, 15, que não abandonarão o local até que suas exigências sejam atendidas.

 

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O presidente da Associação da Juventude para os Direitos Humanos do Bahrein, Mohammed al-Maskati, garantiu à Agência Efe por telefone que os organizadores não planejaram nenhuma passeata para esta quarta-feira, mas insistiram em que continuarão seus protestos.

 

A praça foi rebatizada pelos participantes como praça Tahrir de Manama, em referência ao local homônimo do Cairo onde milhares de manifestantes se concentraram durante mais de duas semanas até a renúncia do presidente Hosni Mubarak, no último dia 11 de fevereiro.

 

A polícia observa os participantes sem atuar, como garantiu à Efe o ativista, que está no local da concentração.

 

Espera-se que ao longo do dia mais pessoas cheguem até a praça, especialmente após o fim das atividades trabalhistas.

  

Policiais presos

 

Policiais acusados pela morte de dois xiitas no Bahrein foram presos em meio a uma investigação, afirmou ontem o ministro de Interior, xeque Rashed bin Abdullah al-Khalifa. "Aqueles por trás dos dois casos de morte foram detidos e nós começamos as investigações preliminares." Os protestos contra o governo continuam hoje no centro da capital, Manama.

 

O ministro pediu desculpas pelas mortes de dois manifestantes em confrontos com policiais na segunda-feira e ontem, dizendo que a polícia deve demonstrar comedimento. "Nós lamentamos que os recentes eventos tenham causado mortes e nos desculpamos à nação, especialmente às famílias daqueles que morreram ou ficaram feridos", disse. "Nos últimos anos, eu sempre insisti que o pessoal de segurança deve mostrar comedimento para evitar tais eventos lamentáveis, e temos tido sucesso em fazer isso."

 

O rei Hamad lamentou as mortes ontem, anunciando uma investigação ministerial. O monarca prometeu realizar mais reformas - iniciadas com um referendo em 2001 que restaurou o Parlamento - a partir de 2002. O Legislativo estava fechado desde 1975. Nos anos 1990, o Estado árabe teve uma onda de protestos liderada pelos xiitas. As manifestações, porém, perderam força desde as reformas de 2001.

 

Os protestos da véspera começaram em frente ao Hospital Geral da localidade de Al Dih, onde ocorreram os choques com as forças de segurança que utilizaram gás lacrimogêneo e dispararam balas de borracha para dispersar os manifestantes, que protestavam pela morte na véspera de um jovem.

 

A revolta popular começou dois dias antes e conta com uma participação sem precedentes no país, um arquipélago com superfície de só 727 quilômetros quadrados no qual vivem pouco mais de 1 milhão de pessoas, a metade de estrangeiros.

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