Manifestantes do Iêmen exigem que Saleh seja julgado

Milhares de iemenitas marcharam pela capital na quinta-feira, exigindo que o presidente Ali Abdullah Saleh seja julgado pela morte de manifestantes ao longo de 11 meses de protestos contra ele.

MOHAMMED GHOBARI, REUTERS

22 de dezembro de 2011 | 15h39

A Organização das Nações Unidas (ONU), que endossou um pacto promovido pelos vizinhos mais ricos do Iêmen para evitar uma guerra civil tirando Saleh do poder, disse que ele precisará fazer um tratamento médico no exterior enquanto o país se prepara para eleger um sucessor.

A disputa sobre o destino de Saleh reacendeu os múltiplos conflitos do país e fez aumentar os temores em Washington de que o braço iemenita da Al Qaeda poderá se fortalecer, caso o país da Península Arábica mergulhe no caos.

"O objetivo é derrubar o regime e processar as autoridades, sem dar a Saleh e a seus assessores imunidade parlamentar", disse Waddah al-Adeeb, organizador da marcha que partiu da cidade de Taiz, no sul do país, no começo da semana.

"E nós rejeitamos o governo de união, porque ele apenas reproduz o próprio regime", disse ele por telefone a aproximadamente 100 quilômetros ao sul da capital Sanaa.

Ele estava se referindo à divisão do governo entre membros do partido de Saleh e de partidos de oposição encarregados de conduzir o Iêmen à votação em fevereiro.

O papel do governo está estabelecido no pacto de transição, que repercute uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, e faria de Saleh o quarto líder a deixar o poder depois dos protestos populares que redesenharam o mapa do Oriente Médio.

O enviado da ONU ao Iêmen, Jamal Benomar, que tenta implementar o plano de transição, disse na quarta-feira que já estavam sendo feitos os arranjos para o tratamento de Saleh, que sofreu queimaduras e outros ferimentos numa aparente tentativa de assassinato em junho.

O governo iemenita e membros da oposição afirmaram na quarta-feira que os esforços para retirar as forças pró-Saleh e as do líder tribal Sadeq al-Ahmar dos distritos de Soufan e de Hasaba - onde eles se enfrentam esporadicamente - têm patinado.

Qualquer governo de sucessão enfrentará múltiplos desafios, incluindo o sentimento separatista no sul, que já foi uma república socialista que travou uma guerra civil com o norte de Saleh em 1994 depois de quatro anos turbulentos de união formal.

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