Manifestantes e autoridades voltam a se enfrentar no Egito

Protestos exigem que a junta militar governante entregue o poder; novos confrontos já deixaram 10 mortos e 441 feridos

CAIRO, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2011 | 03h04

Enquanto o Exército egípcio tenta desqualificar os militantes pró-democracia que protestam contra seu governo - classificando-os como "conspiradores" e "vândalos" -, suas tropas voltaram a reprimi-los com violência ontem, no terceiro dia consecutivo de manifestações contra a junta militar, no Cairo.

O Ministério da Saúde do Egito elevou ontem o número de mortos para 10 e o de feridos a 441. Ativistas dizem que a maioria das mortes foi causada por disparos de armas de fogo.

Policiais e soldados levantaram barreiras em ruas do entorno da Praça Tahrir. Quando os agentes começaram a fazer breves incursões para reprimir os manifestantes, foram recebidos a pedradas.

"A junta militar tem de sair", disse um rapaz que, com um ferimento na cabeça, se identificou como apenas Mohammed, após uma madrugada em que as forças de segurança insistiram em atacar os manifestantes que permaneceram na praça, apesar da violência do sábado. Próximo a Mohammed, dezenas de jovens arremessavam pedras contra a barricada de placas de metal e arame farpado das autoridades.

Centenas de manifestantes continuaram na praça ontem, apesar de o fluxo de veículos vindos das vias que não foram interditadas pelas forças de segurança não ter sido interrompido. A maioria dos confrontos de ontem ocorreu em ruas de saída do local.

Um grupo de ativistas aproximou-se dos militantes que atiravam pedras contra as autoridades pedindo que eles parassem o que estavam fazendo, mas eles se recusaram, citando os 10 mortos como um motivo para não "negociar". Outros egípcios, trajando roupas civis, entregaram para o Exército pessoas que, segundo eles, estariam preparando bombas de gasolina.

Vários manifestantes têm acampado na Praça Tahrir desde o dia 18 de novembro, quando os protestos contra a junta militar começaram. Em dez dias, até o início da primeira fase da votação parlamentar, 42 pessoas foram mortas nos confrontos que se seguiram.

A mais recente onda de violência começou na sexta-feira, quando as autoridades egípcias tentaram interromper um protesto diante da sede do gabinete. Agentes do Estado foram filmados arrastando uma mulher pelos cabelos, arrancando a roupa de uma outra, que vestia um véu islâmico e espancando diversos manifestantes, muitos deles, já caídos no chão.

Cantando vitória. Os dois principais partidos islâmicos do Egito afirmaram ontem que obtiveram três quartos dos votos na segunda fase da eleição parlamentar de três etapas que ocorre no país. O Partido Justiça e Liberdade (PJL), braço político da Irmandade Muçulmana, afirmou que obteve 40% das intenções, enquanto que a facção islâmica ultrarradical Al-Nour disse ter recebido 35% dos votos. Na fase inicial das eleições - as primeiras desde a deposição do autocrata Hosni Mubarak, em fevereiro - o PJL obteve 37% e os salafistas, 24%. / AP e REUTERS

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