Manifestantes em Hong Kong ameaçam cancelar diálogo após ataques

Manifestantes em Hong Kong ameaçam cancelar diálogo após ataques

Partidários do regime chinês destruíram barracas e pediram que jovens encerrem bloqueios nas ruas; houve confrontos

O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2014 | 10h53

HONG KONG - Confrontos violentos eclodiram em uma das mais famosas e congestionadas áreas comerciais de Hong Kong nesta sexta-feira, 3, distante do centro da cidade, quando centenas de partidários do regime chinês atacaram acampamentos e arrancaram faixas de manifestantes que pedem mais democracia na região.

Centenas de pessoas foram até a zona de Mong Kok pedindo o fim da ocupação das ruas. A polícia foi ao local para tentar deter os cidadãos enfurecidos.

Apesar do cordão policial e da barreira humana formada pelos manifestantes, os cidadãos contrários ao movimento desmontaram as barracas.

Os organizadores das manifestações ameaçaram cancelar o diálogo com o governo caso não seja realizada uma ação imediata para acabar com os ataques. O movimento Occupy Central e a Federação de Estudantes emitiram um comunicado pedindo uma resposta do governo aos ataques e proteção das autoridades aos manifestantes, que estão desarmados e fazem protestos pacíficos. "Interrompam a violência ou cancelaremos as conversações."

O líder de Hong Kong, Leung Chun-ying, concordou em abrir negociações com os manifestantes, mas recusou-se a renunciar. Com o apoio do governo chinês, Leung deixou claro que não recuará, mesmo diante dos piores distúrbios da cidade em décadas.

Milhares de pessoas tomam as ruas de Hong Kong há uma semana para exigir democracia plena na ex-colônia britânica, com um sistema de votação livre para a escolha do novo líder de Hong Kong em 2017.

Os confrontos desta sexta foram os eventos mais caóticos desde que a polícia usou gás lacrimogêneo e spray de pimenta no fim de semana passado para dispersar os manifestantes. O porta-voz da polícia, Steve Hui, fez um apelo ao público para que "observe as leis de Hong Kong quando expressam suas opiniões".

O Secretário de Finanças, John Tsang, advertiu que os contínuos protestos no distrito financeiro poderiam causar danos "permanentes" para a cidade, centro financeiro asiático.

O número de participantes na manifestação diminuiu nesta sexta em alguns locais de protesto e em torno da área central em razão da chuva e pelo fato de a população de Hong Kong voltar ao trabalho depois de um feriado de dois dias.

Benny Tai, líder do movimento Occupy Central With Love and Peace, emitiu um pedido público para todos os manifestantes que voltem para a área de Admiralty, perto da sede do governo, onde iniciaram seus protestos, uma semana atrás. Ele disse que o grupo acredita que pode garantir a segurança dos manifestantes se eles voltarem para a região. / AP, EFE e REUTERS

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