Ng Han Guan/ AP
Ng Han Guan/ AP

Protestos em Hong Kong: polícia dispersa população com gás lacrimogêneo após período de paz

Após período de tranquilidade, população e policiais entram em confronto novamente; marcha pede que presidente americano continue apoiando cidade 'a se libertar'

Redação, O Estado de S. Paulo

01 de dezembro de 2019 | 03h08
Atualizado 01 de dezembro de 2019 | 22h44

Dezenas de milhares de manifestantes de Hong Kong foram atingidos por gás lacrimogêneo neste domingo, 01, em mais um dia de protestos. Parte do grupo marchava pacificamente em um dos vários comícios autorizados pela polícia quando foram dispersos com gás lacrimogêneo, encerrando um raro período de paz em Hong Kong após seis meses de protestos pró-democracia.

Manifestantes, que incluíam idosos e crianças, carregavam faixas pedindo o fim do Partido Comunista Chinês .A manifestação foi aprovada pelas autoridades, mas alguns manifestantes desviaram o caminho previsto. Outros insultaram e fizeram sinais vulgares à polícia, aprofundando as tensões entre a população e as forças de segurança. No final da tarde, tiros de gás lacrimogêneo foram disparados, fazendo a multidão se dispersar e tossir.

Os manifestantes carregavam bandeiras dos Estados Unidos, apelando ao presidente americano Donald Trump que os ajude na missão de 'libertar o país' do autoritarismo. O grupo também exige democracia total e uma investigação sobre o uso da força pela polícia durante os últimos protestos.

Alguns seguravam cartazes dizendo 'Presidente Trump, por favor, liberte Hong Kong' e 'Vamos tornar Hong Kong grande novamente'. O protesto, inclusive, recebeu o nome de 'Marcha pela Gratidão aos Estados Unidos'. Em uma das bandeiras é possível ver Trump em pé em cima de um tanque, com seu nome estampado na frente e ao lado.

Os manifestantes também planejam marchar até o Consulado dos Estados Unidos, para agradecer aos americanos por terem aprovado uma legislação, na semana passada, que pune por meio de medidas político-econômicas as autoridades de Hong Kong e da China, por qualquer tipo de violação aos direitos humanos provocada contra os moradores da cidade.

O protesto após um breve período de calma incomum em quase seis meses de protestos contra o governo na ex colônia britânica e uma semana após as eleições locais, em que o lado pró-democracia obteve uma vitória esmagadora. Apesar disso, nem o executivo local nem o governo chinês concordaram em fazer concessões. A polícia autorizou três concentrações para este domingo, através de uma "carta de não objeção", e pediu aos participantes que estivessem em paz.

 

Abuso policial

Já no começo do dia, por volta das 11h20 do horário local, uma marcha formada por um grupo de 200 pessoas foi às ruas pedindo pelo fim do uso de gás lacrimogêneo pela polícia. Eles carregavam balões amarelos enquanto seguiam rumo à sede do governo, que fica nas proximidades da Edinburgh Square. Outras marchas estão programadas para ocorrer até o final do dia.

A cidade teve duas semanas de relativa calma, embora a polícia tenha entrado em conflito com alguns manifestantes perto de uma estação de metrô na noite de ontem, 30. Outro chamado foi feito no distrito de Tsim Sha Tsui, perto da Universidade Politécnica, local dos últimos confrontos violentos com a polícia.  

Pela manhã, no fuso horário local, a China acusou o Alto Comissariado de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas - ONU, de encorajar a 'violência radical' no território autônomo, ao sugerir que a líder da cidade conduza uma investigação sobre os relatos de uso excessivo de força por parte da polícia.

A declaração foi feita após a comissária da ONU Michelle Bachelet, escrever um artigo de opinião no South China Morning Post, dizendo que o governo da líder de Hong Kong, Carrie Lam, deve priorizar o diálogo "significativo e inclusivo" para resolver a crise. Ela pediu a Lam que realizasse uma "investigação independente e imparcial liderada por um juiz" sobre a conduta policial do país durante os protestos, o que tem sido uma das principais demandas das manifestações pró-democracia que assolam o território desde junho.

Em comunicado, a missão chinesa que está na ONU, em Genebra, respondeu que o artigo de Bachelet exerce pressão sobre o governo e que "apenas irá encorajar os manifestantes a conduzirem violências radicais ainda mais graves ''./ AP

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