Manifestantes em Hong Kong devem ocupar prédios do governo

Manifestantes em Hong Kong devem ocupar prédios do governo

Líderes estudantis dizem que protestos serão intensificados diante de uma possível repressão policial no Dia Nacional da China

O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2014 | 10h48

HONG KONG - Milhares de manifestantes pró-democracia ampliaram um bloqueio nas ruas de Hong Kong nesta terça-feira, 30, estocando suprimentos e erguendo barricadas antes de uma possível repressão policial para liberar as vias antes do Dia Nacional da China, aniversário da fundação do Partido Comunista da República Popular da China celebrado no dia 1.º de outubro.

"Muitas pessoas poderosas da China continental virão para Hong Kong. O governo de Hong Kong não quer ver isso, então a polícia deve fazer algo", disse Sui-ying Cheng, de 18 anos, uma caloura da Escola de Educação Profissional e Contínua da Universidade de Hong Kong, sobre o feriado do Dia Nacional. "Não estamos com medo. Vamos ficar aqui hoje à noite. Hoje à noite é o mais importante."

Líderes estudantis deram ao chefe executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, um ultimato para sair e tratar com os manifestantes, ameaçando uma escalada das ações nos próximos dias para ocupar mais instalações do governo, prédios e vias públicas caso ele não faça isso.

Um dos dirigentes da Federação de Estudantes de Hong Kong, Chow Wing Hong, afirmou que o nível do protesto nas ruas da cidade aumentará a partir do dia 2. Ele fez um discurso ao lado de Chan Kin Man, cofundador do movimento Occupy Central.

"Temos que resistir e temos as condições para fazer isso", afirmou Chan Kin Man. Os dois voltaram a pedir a renúncia do chefe executivo de Hong Kong, Cy Leung, e a realização de eleições para o novo líder da cidade, em 2017, plenamente democráticas. Há um mês, o governo chinês disse que teria direito de vetar candidatos que desejassem concorrer para a liderança de Hong Kong.

"Eu não sei o que a polícia ou o governo vão fazer comigo, mas eu tenho 100% de certeza que eu estarei lá (à noite)", disse Ken To, um gerente de restaurante de 35 anos, falando no distrito residencial de Mong Kok. "Nós não queremos apenas dinheiro. Queremos nossos filhos, nosso futuro, nossa educação."

A tropa de choque usou spray de pimenta e gás lacrimogêneo contra os manifestantes no fim de semana, mas até a noite de terça (horário local) os agentes haviam quase completamente se retraído do distrito central de Admiralty, exceto na área onde está a sede do governo.

Leung disse que os protestos, considerados ilegais, não fariam Pequim voltar atrás, e ressaltou que a polícia de Hong Kong seria capaz de manter a segurança sem a ajuda de tropas do Exército da Liberação Popular (ELP) da China continental. "Quando um problema se apresenta em Hong Kong, nossa polícia deve ser capaz de resolvê-lo. Não precisamos pedir o ELP."

A China governa Hong Kong sob a fórmula "um país, dois sistemas", que garante à ex-colônia britânica um grau de autonomia e liberdades que não são desfrutadas na China continental, tendo estabelecido o sufrágio universal como uma meta eventual. / EFE e REUTERS

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