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Manifestantes encerram protestos na Tailândia

Após morte de 2 opositores, ex-premiê exilado recua e pede manifestações pacíficas em vez de revolução

Agências internacionais,

14 de abril de 2009 | 03h16

Manifestantes opositores decidiram encerrar os violentos protestos na Tailândia após o Exército intensificar a repressão dos motins, iniciados no sábado. Os dirigentes da manifestação disseram que milhares de partidários, que estavam acampados em torno do principal complexo governamental do país, na capital Bangcoc, começaram a retornar para suas casas, a fim de evitar qualquer derramamento de sangue depois que duas pessoas foram mortas em brigas entre manifestantes e moradores locais.

 

Na véspera, o ex-primeiro-ministro exilado Thaksin Shinawatra, considerado como líder por muitos dos manifestantes, voltou atrás no seu apelo por uma revolução em grande escala e instou protestos pacíficos. Um dos principais líderes do protesto, Veera Muksikapong, disse que vidas inocentes poderiam ser perdidas se as manifestações continuassem. Os meios de comunicação locais relataram que os manifestantes já começaram a deixar o local que tinham ocupado desde o final de março, embora não esteja claro se todos eles acabarão por dispersar.

 

A dura reação dos militares e o aparente fim do protesto é uma bênção para o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, de 44 anos. Na segunda-feira, as tropas marcharam sobre os camisas vermelhas, como são conhecidos os manifestantes, atirando para o ar com fuzis automáticos. Os opositores responderam com coquetéis Molotov e jogaram um ônibus sem motorista em movimento contra os soldados. Pelo menos 2 pessoas morreram e 113 ficaram feridas nos confrontos.

 

Um tribunal de Justiça da Tailândia emitiu ainda ordens de detenção contra o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra e 13 aliados, devido aos violentos protestos organizados pelos simpatizantes do ex-líder para derrubar o governo. O porta-voz da Polícia de Bangcoc, Suporn Pansua, disse que as ordens de detenção são por reunião ilícita e incitar alterações da ordem pública, em relação às chamadas de Shinawatra aos simpatizantes para que fizessem a revolução e manifestações realizadas depois do estado de exceção na capital e em cinco províncias vizinhas.

 

O estado de exceção, declarado no domingo, proíbe a reunião de mais de cinco pessoas ou qualquer outra reunião pública que as autoridades considerarem perigosa para a estabilidade nacional.  Vários líderes da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, plataforma social de Shinawatra que organizou os protestos, estão sob custódia da polícia desde esta manhã, quando decidiram cancelar as manifestações e levantar o cerco que mantinham sobre o Palácio de Governo desde 26 de março. Shinawatra, condenado à revelia em outubro do ano passado a dois anos de prisão por crime de abuso de poder quando governou o país, entre 2001 e 2006, está no exílio desde agosto.

 

Deposto por um golpe militar em 2006, Shinawatra é o principal líder da Frente Unida pela Democracia e contra a Ditadura (UDD, na sigla em inglês), popular entre a maioria pobre e rural da Tailândia. O grupo rival à UDD, a Aliança Popular pela Democracia, formada por monarquistas, membros da classe média urbana e militares, derrubou em dezembro o premiê Somchai Wongsawat após bloquear por dois meses os dois principais aeroportos de Bangcoc. Nos últimos 15 meses a Tailândia teve 4 premiês, mas nenhum conseguiu solucionar as divisões internas. Ao todo, foram 18 golpes militares em 70 anos de monarquia constitucional. Mas, desta vez, o Exército promete não intervir.

 

Matéria atualizada às 11h20.

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