Manifestantes entram em choque com a polícia na Grécia

Medidas anunciadas pelo governo para fechar acordo com FMI e UE deu início a protestos violentos.

BBC Brasil, BBC

04 Maio 2010 | 13h57

Manifestantes entraram em choque com a polícia da Grécia nesta terça-feira, em meio a protestos contra uma série de medidas implementadas pelo governo contra a grave crise financeira no país.

Os manifestantes, funcionários públicos em greve, empurraram os policiais, pedindo que eles abrissem caminho para a passeata de protesto. Os policiais responderam com seus escudos, empurrando para trás as pessoas.

Na quarta-feira, trabalhadores do setor privado prometem se juntar à paralisação.

No domingo, a Grécia fechou um acordo com o FMI e com a União Europeia que abre caminho para o país receber um pacote de 110 bilhões de euros (ou R$ 250 bilhões) de ajuda financeira. O acordo ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos de alguns dos 15 países da zona do euro.

Leia mais na BBC Brasil: Alemanha aprova pacote de ajuda à Grécia

'Grandes sacrifícios'

As medidas de austeridade financeira anunciadas pelo governo para fechar o acordo geraram protestos no país. O governo prometeu congelar os salários dos servidores públicos até 2013, aumentar impostos, cortar planos de aposentadoria, acabar com vários benefícios e flexibilizar as leis trabalhistas.

O objetivo do governo com os cortes é poupar 30 bilhões de euros (cerca de R$ 68 bilhões) ao longo de três anos. A medida reduziria o déficit público grego para menos de 3% do PIB até 2014. Atualmente, o país tem um déficit público de 13,6%.

O Adedy, principal sindicato de servidores públicos, que representa 2,5 milhões de trabalhadores, estendeu nesta terça-feira a greve de um dia por mais 24h em protesto contra as medidas.

"Há outras coisas que eles (o governo) podem fazer antes de optar por tirar dinheiro de pensionistas que ganham 500 euros (cerca de R$ 1,1 mil) por mês", disse o líder do Adedy, Spyros Papaspyros, em entrevista a uma televisão grega.

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, disse que a Grécia precisa fazer "grandes sacrifícios" para receber ajuda externa.

Ministérios, departamentos e serviços públicos fecharam nesta terça-feira. Escolas públicas e hospitais em Atenas abriram com menos funcionários.

Pela manhã, manifestantes comunistas invadiram a Acrópole de Atenas para realizar um protesto contra o governo. Eles subiram ao monumento e penduraram duas faixas - uma em inglês e outra em grego - que diziam: "Povo da Europa, levante-se".

O acordo fechado entre a Grécia, o FMI e a União Europeia tem como objetivo evitar que o país declare moratória na sua dívida. Desde que a crise financeira se agravou, na semana passada, o euro sofreu forte desvalorização diante do dólar. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.