Manifestantes haitianos aceitam empregos e param protestos

Os manifestantes queprovocaram os violentos protestos de abril contra o preço dosalimentos no Haiti aceitaram empregos patrocinados pelosEstados Unidos e por isso não vão cumprir a ameaça de reiniciaros distúrbios. Cinco pessoas morreram em confrontos contra as tropas daONU no mês passado em Les Cayes, no sul do Haiti. Osmanifestantes prometiam voltar às ruas até segunda-feira caso oParlamento não aprovasse um novo primeiro-ministro. Mas na terça-feira, eles usaram pás e rastelos para limparas ruas e valas de uma favela da cidade, cumprindo uma trégua-- frágil, segundo eles. "Queremos casas, restaurantes e lojas comunitárias,subsidiadas pelo governo, escolas profissionalizantes e centrosde saúde", disse um dos rapazes, um dos cerca de 20 que seapresentou como Charles. "A situação não mudou ainda." Ele disse que os empregos bancados pela Agência deDesenvolvimento Internacional dos EUA e oferecidos pelaprefeitura ficaram aquém das expectativas e só vão estimular apaz no curto prazo. Cerca de 40 manifestantes foram contratados como garis, comsalários de aproximadamente 4 dólares por dia -- o dobro damédia haitiana. "Eles tentam nos comprar quando distribuem comida e criamnovos empregos, mas isso ainda não vai resolver nossosproblemas. Vamos ocupar as ruas de novo enquanto nossasexigências não forem atendidas", disse Charlemagne Bien-Aime. Os líderes dos protestos, que se reúnem regularmente numarborizado cemitério da favela de La Savane, disse em 5 de maioque o Parlamento e o presidente René Préval teriam uma semanapara dar posse a um novo primeiro-ministro, que atendesse àsexigências da população, especialmente o controle dos preçosalimentícios, que mais do que dobraram nos últimos meses. Mas na segunda-feira a Câmara dos Deputados rejeitou umaindicação feita por Préval, o que pode levar o país a um novoepisódio de instabilidade.

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