Khalid Mohammed/AP
Khalid Mohammed/AP

Manifestantes incendeiam consulado iraniano na cidade iraquiana de Najaf

Os iraquianos saem às ruas diariamente desde 1º de outubro para exigir a "queda do regime", acusado de corrupção. A maioria da população iraquiana é xiita, como a iraniana.

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2019 | 17h33

NAJAF - Manifestantes incendiaram nesta quarta-feira, 27, o Consulado do Irã na cidade santa xiita de Najaf, no centro-sul do Iraque, que vive há dois meses. A informação é da agência France-Presse. Os iraquianos saem às ruas diariamente desde 1º de outubro para exigir a "queda do regime", acusado de corrupção. A maioria da população iraquiana é xiita, como a iraniana.

Os protestos continuam nesta quarta-feira no sul do Iraque, com bloqueios de estradas e o fechamento de escolas e inúmeras instituições, no dia seguinte a uma jornada violenta que resultou em pelo menos um morto e vários feridos.

O Iraque, um dos países mais ricos em petróleo do mundo, está mergulhado na pior crise social de sua história recente. Os manifestantes exigem a reforma do sistema político e a renovação total de sua classe dominante, que consideram corrupta e incompetente.

Esse movimento, o primeiro espontâneo em décadas, tem sido marcado pela violência, que deixou mais de 350 mortos desde seu início.

Depois dos disparos com munição letal que ocorreram pela primeira vez em plena luz do dia em Kerbala e que, segundo os médicos, causaram uma morte, as autoridades que administram os santuários da cidade sagrada xiita anunciaram o fechamento excepcional dos jardins de infância e escolas religiosas.

O fechamento de dois dias também se aplica às mesmas escolas em Najaf e Al-Hilla, na Província da Babilônia (sul).

Esta manhã, grandes colunas de fumaça preta foram observadas acima de Kerbala, visitadas todo os anos por milhões de xiitas de todo o mundo. Os manifestantes interromperam várias estradas, incluindo a que leva à Babilônia, no sul.

Em Diwaniya, mais ao sul, onde escolas e administrações também fecharam, os manifestantes montaram piquetes para impedir que as autoridades tentassem reabrir seus escritórios.

Em Kut e Najaf, o setor público também permaneceu paralisado. Em Nasiriyah e Basra, regiões petrolíferas do extremo sul, uma manifestação bloqueou a filial local da companhia estatal de petróleo de Nasiriyah, mas sem afetar a produção nessas duas províncias./ AFP  

 

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