Manifestantes invadem conselho municipal no Iraque

Cerca de 2 mil manifestantes atacaram escritórios do governo na cidade de Kut, província de Wasit, sul do Iraque, arrancando pedras das ruas para jogar contra a sede do conselho regional em protesto contra a má qualidade dos serviços públicos. O protesto é um dos mais dramáticos desde que os iraquianos começaram a expressar sua raiva em todo o país, ecoando a agitação que ocorre em todo o mundo árabe. Mas ao contrário dos manifestantes de outros países, que exigem democracia e troca de regime, os iraquianos protestam contra o desemprego, a falta de eletricidade e a corrupção.

AE, Agência Estado

16 de fevereiro de 2011 | 14h51

A principal autoridade médica da província, Diaa al-Aboudi, disse que 49 pessoas ficaram feridas, das quais três com gravidade. Não está claro como as pessoas se feriram. Kut fica 160 quilômetros a sudeste de Bagdá. Os manifestantes jogaram pedras na sede do conselho da província, atearam fogo a um trailer que estava do lado de fora e invadiram o local, disse a porta-voz da província de Wasit, Sondos al-Dahabi.

Imagens obtidas pela Associated Press mostram nuvens de fumaça, uma palmeira pegando fogo e manifestantes, muitos dos quais adolescentes, entrando no local. O som de disparos podia ser ouvido e manifestantes dirigiam um caminhão da polícia e veículos blindados, agitando bandeiras iraquianas.

Era possível ver chamas saindo de alguns escritórios e manifestantes retirando pedras do pavimento para atirar contra o prédio. Al-Dahabi disse que depois os jovens saíram da sede e se dirigiram para a casa do governador. Segundo a porta-voz, os manifestantes tentaram atear fogo à casa do governador, que estava vazia. Não há informações sobre danos ocorridos na casa.

O Iraque é um dos poucos países com um governo democraticamente eleito no Oriente Médio, mas seus líderes não ficaram imunes aos protestos ocorridos na região.

Os iraquianos têm uma longa lista de queixas contra seus líderes, entre elas os problemas com energia elétrica - que geralmente está disponível apenas algumas horas por dia -, o desemprego, que chega a 30%, e a corrupção. Com a melhora da segurança no país, as atenções se voltaram para questões relacionadas à economia e à qualidade de vida. Wasit é uma área majoritariamente xiita que faz fronteira com o Irã e é uma das províncias mais pobres do Iraque.

"Estamos aqui para exigir eletricidade e melhores serviços. Fomos nós que os colocamos lá por meio das eleições provinciais, mas em troca não recebemos nada deles", disse Hassan Ali Murwah, um dos manifestantes. "Vamos repetir os protestos e nenhuma força do mundo pode ir contra nós."

Os líderes iraquianos, ansiosos por evitar a repetição do que ocorreu no Egito e na Tunísia, tentam se mostrar como políticos que atendem às exigências dos manifestantes. No início desta semana, o Iraque anunciou que adiaria a compra de 18 jatos F-16 dos Estados Unidos e que vai usar o dinheiro para melhorar a alimentação para os mais necessitados.

O primeiro-ministro Nouri al-Maliki disse que seu governo está trabalhando na questão da eletricidade, mas lembrou que não há soluções fáceis para os problemas que atingem o país. Na semana passada, o governo anunciou que vai reduzir as tarifas de energia elétrica e oferecer os primeiros 1.000 quilowatts de graça. As informações são da Associated Press.

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