Manifestantes invadem sede do Exército da Tailândia

Segundo testemunhas, invasores queriam saber a posição das Forças Armadas na luta contra a primeira-ministra

AE, Agência Estado

29 de novembro de 2013 | 10h25

Cerca de 1.200 manifestantes invadiram por alguns momentos a sede do exército da Tailândia na região central de Bangcoc nesta sexta-feira, 29. Em um protesto que durou por duas horas, esse foi um dos eventos mais dramáticos na campanha para derrubar o governo da primeira-ministra, Yingluck Shinawatra.

O Exército já havia movido seu principal centro de comando para um campo militar na periferia da cidade. A invasão é simbólica em um país que, entre golpes e tentativas fracassadas de golpes, já enfrentou 18 movimentações dos militares em direção ao governo desde 1930. A movimentação militar mais recente ocorreu em 2006, quando o Exército expulsou o irmão de Yingluck do poder.

Pessoas que acompanharam a manifestação afirmaram que os manifestantes demandavam saber de qual lado o Exército estava na luta contra a primeira-ministra e deixaram o local de forma pacífica.

Os manifestantes tiveram poucas dificuldades para invadir a sede do Exército. Enquanto outras áreas de Bangcoc estão sendo fortemente vigiadas, o cadeado do local foi arrombado e as pessoas entraram. O complexo se localiza próximo à sede das Nações Unidas para a região da Ásia e do Pacífico.

Yingluck tem se mostrado relutante em usar a força para controlar os protestos, com medo de piorar a crise política. De fato, as forças de segurança fizeram pouco para impedir que os manifestantes invadissem diversos prédios do governo durante a semana. "Por favor, parem com os protestos, pela paz do país. Estou implorando a vocês", disse a primeira-ministra na quinta-feira.

Nesta sexta-feira, em entrevista à BBC, Yingluck disse que não irá autorizar eleições antecipadas e que o governo não irá autorizar o uso da força contra os manifestantes.

Pessoas ocupam o Ministério de Finanças desde segunda-feira, enquanto outros permanecem em um complexo que sedia o Departamento de Investigações Especiais, o equivalente da Tailândia ao FBI nos EUA. Na quinta-feira, manifestantes cortaram a energia da sede do Departamento de Polícia, pedindo a eles se juntarem aos protestos.

O porta-voz do Exército, Coronel Sansern Kaewkamnerd, disse que os manifestantes se aglomeraram no gramado da sede do Exército, mas não entraram em nenhum prédio. "Pelo que entendi, eles querem enviar uma carta ao comandante supremo do Exército", disse.

Um outro grupo de manifestantes se concentra em frente à sede do Pheu Thai, partido que está no poder e cujo prédio está sendo protegido por centenas de policiais, enquanto um grupo de mais de mil pessoas se concentrava em frente a um grande shopping, preparando-se para partir em direção à embaixada dos EUA. O oposicionista Korn Chatikavanij, ex-ministro de Finanças, entregou uma carta a uma autoridade dos EUA denunciando a liderança de Yingluck como ilegítima.

Muitos tailandeses se revoltaram contra os planos do governo no início deste mês para introduzir uma lei de anistia que permitiria a Thaksin Shinawatra, irmão mais velho de Yingluck e ex-primeiro-ministro, retornar à Tailândia como um cidadão livre. Thaksin, ex-bilionário das telecomunicações que governou o país de 2001 a 2006, fugiu do país após ser condenado a dois anos de prisão por corrupção, o que ele afirma ter sido motivado por interesses políticos.

Até hoje a população está dividida sobre Thaksin. Muitos o apoiam por conta de suas políticas populistas, como a introdução de um plano de saúde a custos menores e a expansão do crédito. Após o início dos protestos, o governo de Yingluck recuou da proposta de oferecer anistia a Thaksin, mas desde a última semana os protestos ganharam força em um esforço para retirar a família Shinawatra do poder.

Os protestos têm sido liderados pelo ex-deputado oposicionista Suthep Thaugsuban. Desde segunda-feira, as manifestações têm ocorrido em torno de uma série de ministérios do governo, incluindo o Ministério de Finanças.

Suthep disse que não irá negociar e convidou para que mais gente siga as manifestações. O objetivo é propor uma nova liderança, indicada por um "conselho do povo". No domingo os protestos reuniram cerca de 100 mil pessoas, mas nos últimos dias o número têm se reduzido para algumas dezenas de milhares./ DOW JONES e AP

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