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Manifestantes mantêm protesto após morte de policiais

AE-AP E DOW JONES, O Estado de S. Paulo

21 de dezembro de 2014 | 20h01

As mortes de dois policiais de Nova York coloca sob pressão os manifestantes que têm protestado contra a violência das forças policiais norte-americanas, para que suspendam ou reduzam suas manifestações. Mas os organizadores não mostraram sinais de querer interromper os protestos que tomaram conta das maiores cidades dos EUA nas últimas semanas.

Os líderes dos grupos de protesto que surgiram depois das mortes de dois negros desarmados por policiais, em Staten Island (Nova York) e Ferguson (Missouri) condenaram as mortes dos dois policiais, ocorridas neste sábado, mas dizem que não há conexão entre esse evento e a causa da desmilitarização das polícias.

Os organizadores disseram que continuarão os protestos vão continuar, sob as palavras de ordem "mãos para cima, não atire" (relacionada à morte de Michael Brown com oito tiros, em Ferguson, em agosto) e "não consigo respirar" (relacionada à morte de Eric Garner por asfixia, ao ser dominado por quatro policiais em Staten Island, em julho). Nos dois casos, tribunais do júri decidiram não indiciar os policiais envolvidos, o que deu maior intensidade aos protestos.

Na noite deste domingo, os manifestantes fariam uma "vigília à luz de velas por justiça) em Manhattan, seguida por um serviço religioso em uma igreja no Harlem - horas depois de outra missa, na Catedral de St. Patrick, em uma área mais nobre da cidade, onde os policiais Rafael Ramos e Wenjian Liu foram lembrados em missa celebrada pelo cardeal Timothy Dolan, na presença do prefeito Bill de Blasio e do comissário de Polícia, William Bratton.

"Vincular a insanidade criminosa de um pistoleiro solitário aos protestos pacíficos e às aspirações de muita gente em todo o país, incluindo o procurador-geral, o prefeito e mesmo o presidente, simplesmente não é justo", disse Cornell William Brooks, presidente da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP).

Mas o presidente da Associação Benevolente dos Patrulheiros de Nova York, Patrick Lynch, afirmou que os organizadores das manifestações e os políticos eleitos que têm criticado a polícia "têm sangue nas mãos". O ex-prefeito Rudolph Giuliani (do Partido Republicano) atacou o presidente Barack Obama (do Partido Democrata) e o procurador-geral Eric Holder: "Tivemos quatro meses de propaganda, a começar do presidente, de que todos deveriam odiar a polícia. Eles criaram um clima de ódio forte e severo contra a polícia em certas comunidades, e deveriam se envergonhar disso."

O matador dos dois policiais foi identificado como Ismaaiyl Brinsley, de 28 anos. Ele havia atirado na ex-namorada horas antes de emboscar os dois policiais e matá-los a tiros no Brooklyn, na zona leste de Nova York. Antes disso, havia escrito em sua conta no Instagram: "Vou colocar asas em porcos hoje. Eles matam um dos nossos, vamos matar dois deles".

"Temos denunciado a violência em nossa comunidade, não importa o alvo", afirmou o ativista pelos direitos humanos Tony Herbert. Ele disse temer que as mortes dos policiais sejam usadas para desacreditar uma causa maior.

O reverendo Al Sharpton, ativista pelos direitos civis dos negros que tem participado dos protestos, condenou a violência e a atitude "olho por olho". Para ele, é absurdo culpar manifestantes ou políticos pela morte dos policiais. "Estamos sob ameaça intensa daqueles que estão mal orientados, dos que tentam culpar todo mundo, dos líderes dos direitos civis ao prefeito, ao invés de lidar com o espírito mau que todos nós temos que combater", disse Sharpton.

"Uma das melhores coisas seria se Al Sharpton calasse a boca", reagiu Ari Fleischer, que foi secretário de imprensa da Casa Branca durante o governo de George W. Bush (do Partido Republicano). E o presidente nacional da Ordem Fraternal da Polícia, Chuck Canterbury, disse "Basta. Não há nada errado com a maneira de os tiras fazerem seu trabalho".

"Estamos cientes da sensibilidade do momento", disse Tamika Mallory, integrante do Conselho da Liga da Justiça de Nova York, uma das principais organizadoras dos protestos. "Ainda queremos justiça para Eric Garner. Temos a expectativa de que a polícia vai respeitar nosso direito constitucional de protestar", acrescentou. Fontes: Associated Press e Dow Jones Newswires.

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