Manifestantes marcam novo panelaço contra presidente

Protesto contra governo argentino, organizado por meio de redes sociais, será realizado no dia 8 de novembro

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h06

As redes sociais estão convocando um novo panelaço contra o governo da presidente Cristina Kirchner para o dia 8 de novembro em toda a Argentina. No dia 13, um panelaço também convocado por intermédio do Twitter, Facebook, e-mails e mensagens de texto levou 200 mil pessoas às ruas de Buenos Aires - e outras 100 mil nas cidades do interior - para protestar contra o plano de uma reforma constitucional que permitiria uma segunda reeleição presidencial de Cristina.

Os manifestantes também protestaram contra a escalada da inflação, as restrições contra o dólar (tradicional refúgio financeiro dos argentinos) e os casos de corrupção do governo Kirchner. Na ocasião, não faltaram críticas por parte dos manifestantes contra a ausência de ações dos partidos da oposição para fiscalizar Cristina.

Diversos integrantes do governo admitiram que a manifestação de uma semana e meia atrás foi significativa. No entanto, atribuíram o protesto a "setores conservadores da classe média". Cristina, famosa por rejeitar críticas ao seu governo, manteve silêncio sobre o panelaço.

Hugo Moyano, secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical do país, desafiou Cristina a convocar um plebiscito para verificar se a população deseja uma eventual reeleição. "Seria uma boa ideia que o governo entenda que o povo não está disposto a aceitar tudo o que a presidente impõe." Moyano anunciou que em 11 de outubro organizará paralisação e marcha do sindicato dos caminhoneiros, o mais poderoso do país. A central sindical rival, a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), também organiza uma manifestação contra o governo no mesmo dia.

Partidos da oposição, como a União Cívica Radical (UCR) e o Proposta Republicana (PRO) criticam os planos de reforma da Carta como uma tentativa de Cristina de aferrar-se ao poder. "Não haverá reforma e esse será o último mandato de Cristina", sustentou o ex-candidato presidencial Ricardo Alfonsín, da UCR, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín.

"O desafio da oposição argentina é canalizar o descontentamento da população e traduzir isso numa alternativa política", afirmou na semana passada em Buenos Aires o ex-presidente do Uruguai, Julio María Sanguinetti. "Uma expressão de protesto esgota-se em si mesma. Não é uma alternativa."

Cristina, do Partido Justicialista (Peronista), também enfrenta uma crescente oposição do peronismo dissidente. Um de seus representantes, o governador de Córdoba, José Manuel de La Sota, que não esconde suas aspirações presidenciais para 2015, liderará uma marcha "anti-K" hoje em Buenos Aires em homenagem ao líder sindical José Ignácio Rucci, assassinado há 39 anos pela ala esquerda do peronismo.

O cenário político, que foi favorável a Cristina quando eleita há um ano, com 54,1% dos votos válidos (20% dos eleitores não compareceram às urnas), agora é negativo. / A.P.

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