Manifestantes marcham em Santa Cruz contra Evo Morales

Cinco mil manifestantes marcharam nesta terça-feira pelas ruas da província de Santa Cruz para protestar contra o governo Evo Morales. O presidente boliviano é criticado por setores da sociedade civil boliviana por causa de um projeto para fiscalizar os governadores, do comportamento de seu partido na Assembléia Constituinte e de sua tentativa de implantar uma "revolução agrária" no país. A manifestação partiu da cidade de Warnes, a 32 quilômetros de Santa Cruz por volta das 8h. A marcha foi organizada por empresários agropecuários da província. O gerente da Federação dos Pecuaristas de Santa Cruz, Raúl Añez, disse a uma rádio local que os produtores protestam porque "têm certeza de que seus direitos não estão sendo respeitados e suas propostas não estão sendo ouvidas". O projeto de reforma agrária que rejeitam aumenta o poder do Estado e a expropriação de terras que o governo julgar "ociosas", para distribui-las a povos indígenas e camponeses. Morales disse que entregará a comunidades um mínimo de 20 milhões de hectares de terras confiscadas, quase um quinto do total do país, distribuídas em uma reforma agrária no país em 1953. Segundo o governo, essa reforma distribuiu 50 milhões de hectares mas apenas beneficiou "latifundiários". Assembléia "Não aceitaremos a assembléia falsa", disse German Antelo, presidente do Comitê Pró Santa Cruz. O partido de Evo, o Movimento ao Socialismo (MAS) - que controla 54% dos votos na Assembléia Constituinte - aprovou uma regra que prevê a aprovação dos projetos por maioria simples. Para o analista Fernando Galindo, da Universidade Mayor de San Simón, em Cochabamba, a postura do MAS não é tanto dura, mas prática. "Se todos os artigos da Constituição tivessem que ser aprovados por maioria de dois terços essa Constituinte não acabaria nunca", diz. Galindo lembra que, na época da convocação, não estava claro se cada artigo deveria ser aprovado por dois terços dos constituintes, ou apenas o texto como um todo. "Nesse sentido, não creio que o MAS viole a lei de convocação, porque o texto final deverá ser aprovado pelos dois terços." Na sexta-feira, alguns membros da oposição iniciaram uma greve de fome para protestar contra a aprovação da Carta por maioria simples. Liderado por Samuel Doria Medina, do partido Unidade Nacional (UN), o protesto radical se estendia nesta terça a seis cidades bolivianas. Cerca de cem pessoas, entre constituintes, parlamentares e militantes, faziam greve de fome, segundo o UN. O Poder Democrático e Social (Podemos), maior partido de oposição do país, não aderiu aos protestos radicais, mas prometeu, nas palavras do ex-presidente Jorge Quiroga (2001-2), "medidas de resistência pacífica". Neste mesmo dia 21 houve uma reunião do Podemos para estudar medidas para "preservar a democracia", segundo Quiroga. Rompimento No domingo, os governadores de seis dos nove departamentos (Estados) bolivianos divulgaram comunicado "rompendo relações com o poder executivo nacional". Os governadores de Santa Cruz, Beni, La Paz, Cochabamba, Pando e Tarija também se opõem à conduta do MAS na Assembléia Constituinte. Além disso, protestam contra um projeto, enviado por Evo ao Congresso nesta terça, que dá ao Legislativo o poder de fiscalizar os governos estaduais, e ao Executivo a decisão de afastá-los ou não do cargo, em caso de má conduta. O rompimento é importante, pois esses seis Estados concentram 80% da população e quase 90% da economia boliviana. Galindo acredita que podem ser convocados nos próximos dias paralisações e outras medidas em protesto contra o governo central. O MAS controla, porém, vários setores sociais nesses Estados, o que poderia "criar certos enfrentamentos nessas regiões", acredita o analista. Para Galindo, o rompimento tem um significado mais amplo. "Ele expressa uma nova tentativa da direita de construir um bloco político-social para fazer frente ao projeto do MAS."

Agencia Estado,

21 Novembro 2006 | 19h17

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