Manifestantes ocupam praça na Síria e exigem renúncia de Assad

Milhares se concentram em Homs e promentem permanecer até o fim do regime do presidente

Associated Press

18 de abril de 2011 | 18h26

Imagem da ocupação da Nova Praça do Relógio.

 

BEIRUTE - Milhares de pessoas iniciaram a ocupação de uma das principais praças do centro de Homs, a terceira maior cidade da Síria, e juraram nesta segunda-feira, 18, manter o local ocupado até que o presidente Bashar al-Assad deixe o cargo. Os manifestantes desafiam as autoridades, que têm reprimido os protestos contra o governo e disseram que não realizarão reformas.

 

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A manifestação, semelhante à que derrubou o ex-presidente Hosni Mubarak no Egito, ocorre depois de funerais que reuniram 10 mil pessoas no centro da cidade. As cerimônias foram realizadas em homenagem aos mortos nos confrontos com a polícia no final de semana. Grupos de direitos humanos divergem sobre o número de vítimas, mas estima-se que sejam dezenas.

 

 

Após a cerimônia, milhares de pessoas foram à Nova Praça do Relógio, onde cantavam "Queremos acabar com o regime" e "Paz, paz", disseram testemunhas. Conforme os manifestantes se aglomeravam, as forças de segurança também chegavam. A multidão disse que permaneceria na praça até a queda do governo e testemunhas disseram que deve ser estabelecido um acampamento no local.

 

 

A ocupação deve se converter em um novo desafio para Assad, que está no poder desde julho de 2000. A forte repressão de seu aparato de segurança aos protestos tem gerado críticas da comunidade internacional. O governo sírio é considerado um dos mais estritos do Oriente Médio.

 

O governo culpa "gangues armadas" por várias das fatalidades, afirmando que tais grupos tentam provocar a ira da população executando manifestantes. As autoridades se referem às gangues como "grupos salafi", referindo-se à vertente ultraconservadora do Islã. De acordo com a televisão estatal, elas tentam estabelecer "emirados" e "abusam das liberdades e reformas lançadas pelo presidente Assad". A nota transmitida ainda pediu aos cidadãos sírios para "relatarem terroristas".

 

Desde o início dos protestos contra o governo de Assad, iniciados há um mês, as forças de segurança da Síria lançaram uma violenta ofensiva contra os manifestantes, matando ao menos 200 pessoas, segundo ativistas. Algumas pessoas dizem que capangas do governo tem amedrontado a população ao disparar para o alto mesmo que não haja nenhuma movimentação suspeita.

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