REUTERS/Christian Veron
REUTERS/Christian Veron

Manifestantes opositores usam bombas de fezes contra policiais em protestos na Venezuela

Venezuelanos alegam que o uso das ‘armas’ é uma forma de contra-atacar a repressão policial; para prefeito chavista, comportamento é ‘psicótico’

O Estado de S.Paulo

10 Maio 2017 | 11h38

CARACAS - Manifestantes que estão há mais de um mês nas ruas da Venezuela para protestar contra o governo de Nicolás Maduro encontraram uma nova forma de afrontar os policiais: por meio do lançamento de bomba de excrementos, conhecidas entre eles como “puputov” (“cocotov”, em tradução livre).

Estas formas “diferenciadas” de arma, cujo nome remete aos coquetéis molotov, trazem frases em suas embalagens - como “Com muito carinho”, “Por nossos filhos” e “Pelos presos políticos” - e são arremessadas contra os agentes e os tanques anti-choque.

Alguns meios de comunicação locais afirmam que essas bombas não têm sido usadas somente em Caracas, mas também em Estados do interior do país, como Mérida, Táchira e Carabobo, onde alguns protestos se tornaram violentos e resultaram em mortes e saques.

Os manifestantes opositores dizem que usam a “arma” como forma de contra-atacar a “repressão” policial - que usam bombas de gás lacrimogêneo, água e balas de borracha -, da qual afirmam ser vítimas.

Embora alguns políticos opositores não tenham emitido declarações a respeito, já circulam nas redes sociais um convite para a “Marcha da m****”, que será realizada nesta quarta-feira, 10. O lema do protesto é “Vamos nos armar! Eles com gases, nós com excremento”.

O prefeito de Libertador, o chavista Jorge Rodríguez, qualificou o comportamento dos opositores de “psicótico”. “Agora decidiram jogar suas próprias fezes no meio da rua. Isso é psicótico”, disse ele em seu programa transmitido pela emissora de TV estatal VTV.

Os protestos registradas nas últimas semanas na Venezuela têm resultado em confrontos entre manifestantes e policiais que tentam impedir a passagem das marchas. Além disso, há registros de vandalismo, saques e destruição de comércios e sedes de organismos públicos. Até o momento, 36 pessoas morreram nas manifestações e centenas ficaram feridas. / EFE

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