Manifestantes pedem renúncia de premier da Tailândia

Pelo menos 100 mil pessoas saíram nesta terça-feira às ruas de Bangcoc em direção à sede do governo tailandês para exigir a renúncia do primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que ameaçou decretar estado de emergência em todo o país. Aos gritos de "Thaksin, saia já", os manifestantes tomaram a principal avenida da capital, Bangcoc, protegidos por cordão de isolamento montado pelos membros do chamado "Exército do Dharma", seita budista comandada pelo ex-general Chamlong Srimuang, líder dos protestos que em maio de 1992 provocaram a morte de cerca de 100 pessoas. Entre os manifestantes estavam integrantes da classe média, em grande maioria, assim como granjeiros e funcionários públicos. A passeata teve início pela manhã, depois de aproximadamente 40 mil pessoas terem passado a noite acampadas em frente ao Palácio Real de Bangcoc, ouvindo discursos de líderes oposicionistas. A manifestação, convocada pela recém-criada Aliança do Povo para a Democracia, integrada por diversos grupos civis que pedem a renúncia de Shinawatra, foi realizada em meio a novas advertências sobre a possível decretação de estado de emergência. Sob pressão "Estou preparado para decretar estado de emergência se a situação se tornar violenta nas ruas", declarou Shinawatra à imprensa em Ubon Ratchatani, região nordeste da Tailândia, enquanto fontes de seu próprio partido, o Thai Rak Thai, de analisavam a possibilidade de substituí-lo. Fontes do partido de Shinawatra declararam que entre os candidatos para ocupar a chefia interina do Executivo estão o atual vice-primeiro-ministro, Rakiart Surakiar, e o ex-general Bokhin Palangkura. Pelo menos 20 mil policiais foram deslocados na segunda-feira para prevenir incidentes violentos antes do início da manifestação, que, segundo seus líderes, pretende sitiar a sede do governo durante a reunião semanal de ministros. Shinawatra, que no final de fevereiro dissolveu o Parlamento e convocou eleições para o dia 2 de abril, com o aparente propósito de resolver a crise política, deve presidir a reunião do Executivo por meio de uma videoconferência. Acusado de corrupção, abuso de poder e nepotismo, ele decidiu viajar para Ubon Ratchatani no dia anterior ao protesto. Nas imediações da sede do governo, em Bangcoc, a polícia ergueu barricadas e posicionou mais de mil agentes das unidades antidistúrbio.

Agencia Estado,

14 Março 2006 | 05h18

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