Manifestantes pedem renúncia de premier do Timor Leste

Os manifestantes que se dirigiam em caravana rumo à capital do Timor Leste, Díli, para pedir a renúncia do primeiro-ministro, Mari Alkatiri, foram autorizados a entrar na cidade pelas tropas estrangeiras que controlavam os acessos.Tropas da Austrália e Malásia, dois dos países das forças de paz enviadas ao Timor Leste para dar fim à violência, tinham erguido desde o começo da manhã postos de controle em várias estradas, tendo em vista a ocorrência de boatos sobre o protesto.Cerca de mil de manifestantes entraram na capital em dezenas de veículos. O ministro de Relações Exteriores e da Defesa, José Ramos Horta, comunicou por telefone aos líderes da manifestação, comandada por um militar timorense rebelde, a permissão para entrar na capital.ViolênciaCom gritos de "Viva Xanana" (Gusmão, o presidente do país), "Viva o Timor Leste" e "Abaixo Alkatiri", os manifestantes foram até o palácio presidencial, onde uma delegação deveria entregar um manifesto.Alkatiri é visto como o culpado pela atual onda de violência no país. Os protestos começaram em março, quando ele dispensou 591 militares que denunciaram discriminação étnica, por serem originários da região ocidental do país. Os militares expulsos formaram então uma força rebelde.Em Díli houve novos atos de pilhagem e incêndios. Mas a violência diminuiu em relação às outras semanas, graças à presença das tropas estrangeiras.A onda de violência já causou cerca de 30 mortes, a fuga de 100 mil pessoas e a reaparição de ódios étnicos entre habitantes do leste e do oeste do Timor, ex-colônia portuguesa do sudeste asiático que conta com cerca de 1 milhão de habitantes.Entre 1975 e 1999, o país foi ocupado pela Indonésia, quando a população, por meio de um referendo, decidiu pela independência. Desde então, tropas da ONU permanecem no Timor, que tem dezenas de etnias e vários dialetos e idiomas diferentes.Vitória de GusmãoO Parlamento do Timor Leste, que se reuniu na segunda-feira pela primeira vez desde o início da onda de violência no fim de abril, aprovou medidas de emergência anunciadas pelo presidente, Xanana Gusmão.Os 50 parlamentares reunidos no Parlamento se pronunciaram a favor do estado de emergência decretado em maio por Gusmão, que dá a ele pleno controle sobre as forças de segurança do Estado e permite que declare estado de sítio, caso seja necessário. A medida entrou em vigor em 31 de maio e pode ser prorrogada de acordo com a evolução do conflito.O Parlamento timorense é dominado pelo Fretilin, o histórico partido da luta pela independência, com 55 cadeiras, enquanto o restante do Legislativo se divide entre vários partidos de oposição. O resultado da votação é uma vitória de Gusmão, pois garante ascendência sobre o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, presidente do Fretilin.

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