Brent McDonald/The New York Times
Brent McDonald/The New York Times

Manifestantes planejam novos protestos contra Ortega neste sábado

Dois atos são previstos na capital, Manágua, e na cidade de Masaya, reduto rebelde que foi alvo de operação do governo nesta semana; manifestações foram convocadas após Ortega chamar bispos de 'golpistas'

O Estado de S.Paulo

21 Julho 2018 | 03h41

MANÁGUA - Manifestantes contrários ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, convocaram novos protestos para este sábado, 21. O grupo exige a convocação de novas eleições no país. Os atos foram planejados após o mandatário classificar como "golpistas" os bispos que lançaram uma agenda de atos religiosos em prol da negociação pacífica entre o governo e oposição. Os atos serão realizados na capital, Manágua, e na cidade de Masaya, reduto rebelde que foi alvo de uma "operação de limpeza" do governo Ortega nesta semana.

"Não permitiremos que os bispos sejam criminalizados por seus papeis de mediadores nem que sejam rotulados de golpistas", afirmou a Aliança Civil por Justiça e Democracia, principal grupo de oposição que organiza protestos pela Nicarágua, por comunicado. 

Nesta sexta-feira, bispos católicos anunciaram diversos atos religiosos pela paz - desde março, eles tentam negociar uma solução pacífica entre o governo e os manifestantes. Em junho, a Conferência Episcopal da Nicarágua sugeriu ao presidente que adiantasse as eleições prevista para 2021 para março de 2019, proposta rejeitada por Ortega. "Eu pensava que eram mediadores, mas não, estão comprometidos com os golpistas", disse o presidente durante as celebrações da Revolução Sandinista em Manágua, nesta sexta.

O cardeal Leopoldo Brenes, presidente da Conferência Episcopal, disse que os bispos "irão ponderar as palavras do presidente e logo tomarão uma decisão".

Os protestos deste sábado serão os mais recentes de uma série de manifestações realizadas no país desde abril, quando Ortega anunciou uma proposta de reforma previdenciária. Os atos passaram a exigir a renúncia do presidente, no poder há onze anos, e a convocação de novas eleições. O governo reagiu enviando forças policiais e paramilitares para suprimir as manifestações. Desde o primeiro confronto, mais de 300 pessoas morreram. //AFP

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