Lam Yik Fei/The New York Times
Lam Yik Fei/The New York Times

Manifestantes pró-democracia voltam às ruas de Hong Kong para marcar um ano de protestos

A polícia prendeu 53 pessoas durante a manifestação

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2020 | 02h02

HONG KONG - A polícia de Hong Kong prendeu 53 pessoas durante protestos na noite desta terça-feira, 9, quando centenas de ativistas saíram às ruas, às vezes bloqueando estradas no coração do centro financeiro global, antes de a polícia disparar spray de pimenta para dispersar a multidão. Os protestos, convocados para marcar um ano de manifestações pró-democracia, às vezes violentas, na ex-colônia britânica, também ocorreram em meio a tensões elevadas devido a uma proposta de lei de segurança nacional apoiada pelo governo central de Pequim

A polícia disse nesta quarta-feira, 10, que 36 homens e 17 mulheres foram presas por delitos, incluindo assembléia ilegal e participação em assembléia não autorizada. Os manifestantes desafiaram a proibição de reunir mais de oito pessoas introduzidas pelo governo de Hong Kong para impedir a propagação do coronavírus. Mais protestos estão planejados para os próximos dias, com os apoiadores pró-democracia temendo que a proposta de legislação de segurança nacional represente drasticamente as liberdades na cidade. 

Embora os detalhes da lei de segurança ou de como ela funcione ainda não tenham sido revelados, as autoridades de Pequim e Hong Kong disseram que não há motivo para preocupação e que a legislação terá como alvo uma minoria de "causadores de problemas". 

O comitê permanente do Congresso Nacional do Povo, o principal órgão de tomada de decisão do parlamento chinês, se reunirá em Pequim ainda este mês para deliberar sobre vários projetos de legislação, informou a mídia chinesa oficial nesta quarta-feira. 

Os relatórios não especificaram se alguma lei referente a Hong Kong foi incluída na agenda para discussão na reunião de 18 e 20 de junho. O secretário de Segurança de Hong Kong, John Lee, disse ao South China Morning Post em entrevista que a polícia local estava montando uma unidade dedicada para fazer cumprir a lei e que teria recursos de coleta de informações, investigação e treinamento. 

Empresas como HSBC e Standard Chartered apoiaram a lei de segurança sem conhecer seus detalhes, recebendo críticas de alguns investidores e de funcionários britânicos e dos EUA. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, destacou o HSBC na terça-feira, dizendo que essas "reverências corporativas" recebem pouco em troca de Pequim e critica as "táticas coercitivas de bullying" do Partido Comunista Chinês. 

O ano de protestos pró-democracia de Hong Kong foi desencadeado por um projeto de lei do governo que permitiria a extradição de pessoas para a China continental, onde os tribunais são controlados pelo Partido Comunista, para julgamento. A líder de Hong Kong, Carrie Lam, retirou essa lei quando os protestos começaram a acelerar. /REUTERS

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