Manifestantes pró-Evo exigem renúncia de outro governador

Cerca de 5 mil manifestantes se concentraram nesta segunda-feira em El Alto - cidade vizinha à sede administrativa da Bolívia, La Paz - para exigir a renúncia do governador do Departamento (equivalente a Estado) de La Paz, José Luis Paredes, que faz oposição ao presidente boliviano, Evo Morales. Liderados por entidades pró-Evo, os manifestantes deram a Paredes um ultimato de 48 horas para que deixe o cargo. Nos últimos anos, El Alto tem sido cenário das mais violentas manifestações políticas no país.Os protestos em El Alto se somam aos de Cochabamba, onde partidários do governo também exigem a renúncia do governador Manfred Reyes Villa, também opositor de Evo. Na semana passada, confrontos entre manifestantes pró e contra o governo federal resultaram na morte de duas pessoas.Nesta segunda-feira, entidades sindicais e camponesas que apóiam Evo retomaram os protestos pela renúncia de Reyes, mas nenhum incidente grave foi registrado.Tanto Reyes Villa - que se refugiou na cidade de Santa Cruz de La Sierra na sexta-feira - quanto Paredes são acusados pelo governo central de promover o separatismo no país ao defenderem a convocação de um novo referendo sobre a autonomia política de suas respectivas regiões. Em 2 de julho, a opção pela autonomia foi derrotada nos dois departamentos - apesar de ter saído vitoriosa em quatro das nove regiões do país: Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando.Guerra civilNuma entrevista à rede de TV Unitel, em Santa Cruz, Reyes Villa, com a voz embargada e lágrimas nos olhos, afirmou que o governo de Evo está instigando uma guerra civil na Bolívia a partir de Cochabamba. "Não permitirei que meu povo se enfrente em Cochabamba, não serei eu o iniciador de uma guerra civil na Bolívia", declarou Reyes. "A democracia está em risco em nosso país."Membros do governo de Evo, no entanto, anunciaram no domingo que Reyes Villa terá todas das garantias para cumprir o mandato para o qual foi eleito em dezembro de 2005, mas pediram a ele que retorne a Cochabamba e abra um diálogo com os movimentos sociais. O governador se diz disposto a dialogar com os líderes dos manifestantes, mas em Santa Cruz, na casa do cardeal boliviano Julio Terrazas."O governador foi levado ao cargo como resultado de uma eleição", disse no domingo o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana. "O governo (central) em nenhum momento pediu ao governador que renunciasse."Milhares de camponeses - grande parte dos quais, plantadores de folha de coca da região do Chapare, berço político de Evo - permanecem concentrados na Praça de Armas de Cochabamba há uma semana e prometem não abandonar o local até que o governador deixe o cargo. A manifestação tem sérias implicações econômicas para o país, uma vez que Cochabamba é o principal entroncamento das estradas que ligam o Altiplano e as regiões do leste boliviano, como Santa Cruz - o mais próspero departamento da Bolívia.

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