KHALIL MAZRAAWI/AFP
KHALIL MAZRAAWI/AFP

Manifestantes pró-governo tentam impedir chegada de ajuda humanitária a Alepo, na Síria

Segundo Observatório Sírio de Direitos Humanos, participantes do protesto se queixam que assistência não é enviada a outras regiões, como Fua e Kefraya; secretário de Estado americano disse que não ajudará russos até que comboios de ajuda comecem a fluir no país

O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2016 | 15h38

BEIRUTE - Manifestantes dos povos de maioria xiita de Nubul e Zahra se dirigiram nesta sexta-feira, 16, à estrada conhecida como Castello, no norte de Alepo, para impedir a entrada de um comboio de ajuda humanitária nos bairros sitiados da capital homônima da região, segundo informações fornecidas por ativistas.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) disse que os participantes da manifestação se queixam do envio de assistência aos distritos sitiados em Alepo, sob controle opositor e rodeados pelo regime, e que não encaminham ajuda para as localidades de Fua e Kefraya. As duas aldeias vizinhas da Província de Idlib, de maioria xiita, estão cercadas pela Frente da Conquista do Levante (antiga filial da Al-Qaeda) e seus aliados.

O OSDH apontou que os manifestantes pretendiam bloquear a chegada da ajuda a Alepo a menos que houvesse um compromisso para o envio de assistência a Fua e Kefraya. Um total de 40 caminhões aguardam na fronteira sírio-turca para entrar na cidade, mas só o farão assim que tiverem garantias de segurança.

Pressão. A Comissão Suprema para as Negociações (CSN), principal aliança política opositora, pediu nesta sexta-feira que a ONU exerça mais pressão sobre o governo da Síria para que permita a entrada de ajuda nos bairros sitiados de Alepo.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, denunciou que as autoridades sírias haviam descumprido sua promessa de permitir a entrada de assistência humanitária a cidades sitiadas, desde que entrou em vigor o cessar-fogo, na segunda-feira.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou que seu governo não cooperará militarmente com a Rússia até que a ajuda humanitária comece a fluir na Síria.

Em uma conversa por telefone com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, Kerry "deixou claro que os EUA não estabelecerão o centro de implementação conjunta com a Rússia" de ataques contra o EI e Al-Nusra "a não ser e até que se cumpram os termos estipulados de acesso humanitário".

"Kerry expressou sua preocupação sobre os repetidos e inaceitáveis atrasos na ajuda humanitária, e enfatizou que os EUA esperam que a Rússia use sua influência sobre o regime de (Bashar) Assad para conseguir que os comboios humanitários da ONU cheguem a Alepo e outras áreas necessitadas", disse o Departamento de Estado em comunicado.

O Departamento também declarou esta semana que se conforma com um "aumento gradual" nas entregas de ajuda humanitária para começar a coordenação militar com a Rússia, mas até agora isso não aconteceu.

Na conversa, Kerry e Lavrov "se mostraram de acordo com a necessidade urgente que a ajuda humanitária comece a fluir" na Síria. Ambos "reafirmaram a importância de estender e solidificar a cessação de hostilidades" entre o regime de Assad, apoiado pela Rússia, e a oposição síria, respaldada pelos americanos.

Por sua parte, a Rússia sustenta que os EUA devem pressionar mais os grupos opositores que violam continuamente o cessar-fogo e, segundo o governo russo, Lavrov se queixou com Kerry que a lista de grupos que se comprometeram com Washington a respeitar a trégua inclui várias organizações "abertamente terroristas". / EFE

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