Albert Gea / Reuters
Albert Gea / Reuters

Catalães pró-independência bloqueiam estradas e entram em confronto com polícia em Barcelona

Agentes retiraram à força os separatistas das rodovias e prenderam 11 manifestantes; serviços de emergência falam em 32 feridos; protestos ocorrem em meio à reunião do governo espanhol com líderes regionais

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2018 | 09h53
Atualizado 21 de dezembro de 2018 | 15h31

BARCELONA, ESPANHA - Centenas de manifestantes pró-independência bloquearam com pneus e entulhos diversas estradas da Catalunha e entraram em confronto com policiais em meio à reunião do governo do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, com líderes regionais, que foi realizada nesta sexta-feira, 21. A olpícia espanhola retirou à força os separatistas das rodovias e prendeu 11 manifestantes.

Com lemas como "seremos ingovernáveis", diversos grupos independentistas convocaram atos para bloquear Barcelona e tentar impedir o que consideram uma "provocação" de Sánchez, que assumiu o poder em junho prometendo um apaziguamento da crise catalã.

Desde as primeiras horas da manhã, os ativistas bloquearam várias estradas na Catalunha, incluindo rodovias importantes como a AP7 e a A2, que ligam a região à França e a Madri, além de vias de acesso a Barcelona e avenidas vitais da cidade. Alguns manifestantes atearam fogo a uma imagem do rei espanhol Felipe 6.º, enquanto agentes se chocavam com jovens mascarados em cenas caóticas que, segundo os serviços de emergência, deixaram 32 pessoas levemente feridas. 

O manifestante Joan Toll lamentou a falta de progresso após um referendo ilegal e a autodeclaração de independência da Catalunha em 2017. “Se você pensa sobre o que aconteceu em 2017, nós não alcançamos nada. Só estamos sendo mais reprimidos”, disse ele, um químico de 44 anos. “Ninguém quer ver violência, mas as pessoas estão ficando cansadas.”

Medidas aprovadas

Durante o encontro com líderes regionais, o governo da Espanha aprovou uma série de medidas para a Catalunha. A reunião do Conselho de Ministros na capital catalã representa um "ato de afeto" com Barcelona e Catalunha, declarou a ministra porta-voz, Isabel Celaá, ao término do encontro, em entrevista coletiva na qual destacou o desejo que o dia continue com "normalidade" e "sem violência".

Madri aprovou várias medidas para a região autônoma, como investimentos em diversos campos e gestos simbólicos como a mudança de nome do aeroporto de Barcelona, que se chamará Josep Tarradellas, em homenagem ao primeiro presidente do governo regional catalão após o retorno da democracia. No âmbito social, foi aprovado um grande aumento de 22,3% no salário mínimo e de 2,25% no salário dos servidores públicos.

Além disso, o governo espanhol aprovou uma declaração de repúdio ao julgamento militar que em 1940 - em pleno regime ditatorial de Francisco Franco - condenou à morte Lluís Companys, presidente do governo regional catalão executado imediatamente depois.

A decisão de Sánchez de reunir seu gabinete em Barcelona pela primeira vez desde o início da crise enfatizou a oposição de Madri à independência completa da região de 7,5 milhões de habitantes. Mas também pode ajudá-lo a garantir a sobrevivência de seu governo minoritário com o apoio de partidos pró-independência em troca de mais autonomia. Seu partido socialista controla apenas um quarto dos assentos do Parlamento e precisará de todo apoio que conseguir para aprovar o orçamento do próximo ano, que será apresentado em janeiro.

A imagem dos protestos desta sexta contrasta com a reunião da véspera entre Sánchez e o líder da região da Catalunha, o independentista Quim Torra, que terminou com um comunicado conjunto no qual os dois governos se comprometem a "um diálogo efetivo" para "avançar em uma resposta democrática às demandas dos cidadãos da Catalunha, no âmbito da segurança jurídica".

Durante o encontro, celebrado em um elegante palácio de Barcelona após dias de negociações sobre o formato, os dois Executivos concordaram em manter os contatos e realizar outra reunião em janeiro. / AFP, REUTERS e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.