Manifestantes pró-Tibete recebem presidente chinês no Japão

Líder chinês faz 1ª visita em 10 anos; países querem superar relação turbulenta e iniciar 'primavera de amizade'

Agências internacionais,

06 de maio de 2008 | 06h01

Milhares de manifestantes pró-Tibete marcharam nesta terça-feira, 6, no centro de Tóquio para protestar contra as políticas da China e os Jogos de Pequim, por causa do início da viagem ao Japão do presidente da China, Hu Jintao. O líder chinês chegou nesta terça, para a visita na qual líderes dos dois países pretendem usar o pingue-pongue e os ursos panda como meios de desfazer a tensão provocada por temas que vão de disputas limítrofes ao ressentimento mútuo.   Veja também: A questão tibetana    Os manifestantes usavam camisetas e carregavam cartazes com mensagens em inglês como "Free Tibet" ("Tibete Livre") e "We Want Justice" ("Nós Queremos Justiça"). Muitos dos participantes, em sua maioria japoneses, carregavam imagens do líder espiritual do Tibete, o dalai-lama, e usavam camisetas que mostravam algemas entrelaçadas que lembravam os aros olímpicos.  A Polícia japonesa convocou 6.600 agentes para aumentar as medidas de segurança durante a visita de Hu, que chegou no começo da tarde desta terça-feira a Tóquio para uma viagem de cinco dias.   Segundo o diário The Japan Times, o número de policiais mobilizados é o dobro que o estabelecido no mês passado para proteger a passagem da tocha olímpica pela localidade de Nagano (norte do Japão). Hu é o funcionário chinês de mais alto escalão a visitar o Japão em uma década. "Estamos em um novo ponto de partida", declarou Hu ao desembarcar em Tóquio nesta terça-feira. Depois de jantar com o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, Hu deverá se reunir na quarta com o imperador Akihito no decorrer da manhã. Mais tarde ele encontrará líderes empresariais e dirigentes dos principais partidos políticos japoneses.   Hu e Fukuda deverão conversar sobre mudanças climáticas, disputadas reservas de gás no Mar do Leste da China, regulamentações chinesas de segurança alimentar e talvez sobre o Tibete. Mas, para marcar o tom amistoso do diálogo, os dois líderes também deverão jogar pingue-pongue e falar sobre ursos pandas.   Segundo a BBC, a relação entre os dois vizinhos foi turbulenta na década passada. A China suspendeu os contatos de alto nível com o Japão entre 2001 e 2006, durante o governo do premiê japonês Junichiro Koizumi. O ex-premiê irritou o vizinho diversas vezes ao visitar o santuário de Yasukuni, em Tóquio, que homenageia os mortos da Segunda Guerra Mundial e, para muitos, glorifica o militarismo.   Mais cedo, Hu havia dito que esperava dar início a uma "eterna e calorosa primavera de amizade" entre os vizinhos. A China está interessada em atrair tecnologia e investimentos japoneses para seu desenvolvimento, ao passo que o Japão está de olho no cada vez maior mercado consumidor chinês. Com uma corrente de comércio superando os US$ 236 bilhões no ano passado – 12% a mais que no ano anterior –, a China já passou os Estados Unidos como o principal parceiro comercial do Japão.   (Com Efe, Associated Press e BBC Brasil)

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