Manifestantes protestam contra estupro na Índia

A polícia de Nova Délhi, a capital da Índia, usou gás lacrimogêneo e canhões de água neste sábado para conter milhares de pessoas que tentavam chegar à residência do presidente do país para protestar contra o estupro e o espancamento de uma estudante no interior de um ônibus.

EQUIPE AE, Agência Estado

22 de dezembro de 2012 | 20h33

Vários manifestantes sofreram ferimentos ao tentar romper o bloqueio formado por barricadas de aço na região, que conta com forte esquema de segurança. A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo e usou cassetetes contra os manifestantes, alguns dos quais atacaram a política durante esporádicos confrontos durante o dia.

À noite, os confrontos se intensificaram. Um grande número de manifestantes se dirigiu para o prédio do Parlamento, que fica nas proximidades da residência do presidente, e atacou a polícia com pedras, que revidou. Mais tarde, os manifestantes se reagruparam e acenderam velas.

O protesto pede a pena de morte para os seis suspeitos que foram detidos pela polícia após o ataque, ocorrido em 16 de dezembro, na capital indiana.

O ministro do Interior Sushilkumar Shinde disse aos jornalistas que o governo vai examinar atentamente o pedido e anunciar a abertura de um inquérito oficial sobre o estupro, ocorrido no último domingo, além de sugerir medidas para melhorar a segurança das mulheres.

Shinde disse que cinco policiais de Nova Délhi foram suspensos por não terem agido prontamente, após o ataque sofrido pela jovem. Ele também reuniu-se com uma delegação de manifestantes estudantis e pediu a eles que encerrassem seu protesto.

O ataque deu início a vários dias de protesto em todo o país. As mulheres exigiram que as autoridades tomem ações mais duras para protegê-las contra a ameaça diária de assédio e violência. Na sexta-feira, autoridades indianas anunciaram uma ampla campanha para proteger as mulheres de Nova Délhi.

Alguns manifestantes deste sábado seguravam faixas nas quais se lia: "Salvem as mulheres. Salvem a Índia" e "Enforquem os estupradores".

O aposentado V.K. Singh, que foi chefe do Exército, se uniu aos manifestantes e responsabilizou "a apatia política e burocrática em relação aos crimes contra mulheres". Ele exigiu reformas imediatas na política para treinar e armar as forças de segurança.

O ministro do Interior também anunciou que aparelhos de GPS serão instalados nos ônibus do governo para evitar que eles saiam de suas rotas. Além disso, os motoristas terão de deixar suas identidades à vista. Há relatos de que entre os pelos menos quatro homens - que estupraram a jovem e feriram gravemente a vítima e o amigo que estava com ela -, estava o motorista e o cobrador do ônibus. As informações são da Associated Press.

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